Informalidade gera insegurança no trabalho
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terça-feira, 13 de julho de 2004
Alan Maschio<br>Reportagem Local 
Obras que fazem uso de trabalho informal em Londrina descumprem 90% das normas de segurança no trabalho. A informação é do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção Civil e Mobiliário (Sintracom), que está aproveitando o Mês de Segurança e Saúde no Trabalho para combater a informalidade, responsável pela ocupação de pelo menos 40% do efetivo da categoria em Londrina, o correspondente a cerca de dois mil trabalhadores.
O projeto é desenvolvido pelo Sintracom em parceria com o Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-Norte), Fundação George Duprat de Segurança e Medicina no Trabalho (Fundacentro) e pelo Sindimed/Serviço Social de Londrina. A idéia do Sintracom é aproveitar as 48 visitas a canteiros de obras que devem ser feitas até o dia 13 de agosto para conscientizar empregadores e operários da importância do registro em carteira.
''Além de apresentar propostas de segurança no trabalho, os palestrantes do projeto vão mostrar que o trabalhador sem carteira assinada não tem direito nem à cobertura de saúde, no caso de algum acidente'', explicou o presidente do Sintracom, Denilson Pestana da Costa. ''O não fornecimento de equipamentos de trabalho e a falta de instalações sanitárias são outras falhas graves de segurança e saúde encontradas em canteiros de obras sem trabalho regularizado'', enumerou Costa.
Ainda segundo o presidente do Sintracom, 16 condomínios fechados estão em andamento na cidade. ''Esse é o tipo de empreendimento onde normalmente encontramos o maior volume de mão de obra informal'', afirmou Costa. Nas visitas, representantes do Sintracom disponibilizam um formulário para que a situação dos trabalhadores seja regularizada, no caso da detecção de alguma anormalidade. ''Se os empregadores resistem em registrar os operários, levamos o caso à Delegacia Regional do Trabalho'', contou.
O Mês de Segurança e Saúde no Trabalho é desenvolvido há cinco anos, mas iniciativas semelhantes são promovidas em Londrina desde 1991. Segundo o diretor do Sinduscon, Nelson Navas, na época Londrina vivia uma explosão de contratações no setor. ''Ao mesmo tempo, vivemos nesse período a pior fase quanto à segurança no trabalho. Em três anos, 97 trabalhadores morreram'', lembrou. ''Por isso iniciativas como esta sempre encontram apoio em diversas entidades. Conseguimos reduzir drasticamente esse índice, que hoje está próximo de zero'', afirmou, admitindo, no entanto, que o sindicato não conta com um levantamento do número de acidentes em canteiros de obras em Londrina.
Operário desde 1985, Nilton Bueno Guedes, 38 anos, presenciou acidentes graves, como a queda de um colega do 11º andar de uma construção. ''Felizmente nada de mais grave ocorreu. Mas isso mostra a importância que a conscientização tem para nós'', disse. ''Nessas palestas, aproximamos o operário do contratante e vemos que resolver problemas de segurança é mais simples, do que do que se imagina'', ponderou o engenheiro responsável por uma obra da Zona Oeste, Leonardo Schibelsky.


