Informação não muda comportamento
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 03 de dezembro de 1997
Lorena Aubrift Klenk 
Curitiba
Marcelo AlmeidaInês Ferreira: região Sul apresentou os melhores indicadoresOitenta e três por cento das mulheres e 52 por cento dos homens da região Sul do Brasil não adotaram qualquer mudança de comportamento para evitar o risco de contrair o vírus da Aids. A maioria (86% das mulheres e 88% dos homens) acredita que esse risco não existe ou é baixo. Os dados são de uma pesquisa nacional feita ano passado e divulgada ontem pela Sociedade Civil Bem-Estar Familiar (Bemfam). A pesquisa também aponta queda na taxa de fecundidade na região Sul e confirma que a esterilização é uma das formas mais adotadas pelas mulheres para evitar filhos.
A Pesquisa Nacional sobre Demografia e Saúde é realizada a cada cinco anos, desde 1986. Ela faz parte de um programa internacional que já fez pesquisas em 50 países, com o objetivo de subsidiar políticas voltadas para a saúde da mulher e da criança.
Na região Sul, a pesquisa foi feita em 2.144 domicílios, localizados em 81 municípios. Ela mostrou que quase 90% dos entrevistados têm conhecimentos sobre a Aids, mas apenas uma minoria adotou formas de evitá-la. Entre os que adotaram alguma mudança, as mais citadas foram monogamia (6% das mulheres e 23% dos homens), uso de camisinha (3% das mulheres e 14% dos homens) e redução de parceiros (1% das mulheres e 10% dos homens).
A pesquisa também averiguou dados sobre fecundidade, mortalidade infantil e materna, anticoncepção e saúde da mulher e da criança. Segundo a coordenadora técnica do trabalho, Inês Quental Ferreira, a região Sul foi a que apresentou os melhores indicadores na maioria dos itens.
A taxa de fecundidade no Sul caiu de 2,8 filhos por mulher em 1986 para 2,3 no ano passado. A média nacional é de 2,5. No mesmo período, aumentou de 88% para 95% a porcentagem de mulheres com assistência pré-natal no Sul.
Um dado preocupante confirmado pela pesquisa é o grande número de partos por cesariana: 45% do total no Sul, bem mais que os 29% verificados há dez anos. Das mulheres esterilizadas, 68% fizeram a ligadura de trompas no parto, o que explica, em parte, a grande porcentagem de cesáreas. Um dos problemas da esterilização é que as mulheres ficam menos propensas a usar a camisinha ou têm mais dificuldade em negociar isso com o parceiro, diz Inês Ferreira.
A esterilização é o método anticoncepcional adotado por 29% das mulheres entrevistadas no Sul. Perde apenas para a pílula, usada por 34%. A camisinha é usada por 5% e outros 5% utilizam métodos tradicionais, como a tabelinha. Um dado positivo é o aumento na porcentagem de mulheres que adotam a camisinha como método anticoncepcional, de 2% em 1986 para 5% agora.
A pesquisa mostrou ainda que, das mulheres com idade entre 15 e 19 anos, 16% já tinham filhos ou estavam grávidas na época da entrevista. Essa taxa é mais alta na zona rural (26%) que na urbana (14%).


