Numa sala de professores, quando o assunto é escolha profissional, todos têm uma história para contar: ‘‘Tem gente que não sabe se vai fazer Oceanografia ou Filosofia Pura’’, ‘‘tive um aluno que no mesmo ano prestou vestibular para Medicina, Direito e Administração de Empresas’’.
Por aí, é fácil concluir que a escolha da profissão é mesmo um problema para os jovens. Segundo os professores de cursinhos especializados no preparo para o vestibular, o jovem é muito idealista e acaba optando de forma aleatória, com os poucos conhecimentos de que dispõe. A maioria aceita as sugestões dos pais.
É consensual que boa parte da dificuldade na escolha da profissão é a falta de informações. ‘‘Os cursinhos não fazem testes vocacionais. Já temos uma carga horária bem apertada e não temos tempo para os testes, mas fazemos atendimentos individuais e oferecemos os materiais sobre todos os cursos superiores que são ofertados no País’’, diz Fernando Carneiro, coordenador de um cursinho de Curitiba.
Uma peculiaridade interessante, lembra Carneiro, é com relação aos estudantes que optam por Medicina, Direito ou Odontologia: ‘‘Em geral os pais são profissionais dessas áreas e o filho se sente mais seguro sabendo que será orientado e que receberá ajuda’’.
Os professores reconhecem que os estudantes do terceiro ano do segundo grau não sabem a diferença, por exemplo, entre Engenharia de Alimentos e Nutrição. ‘‘Fazem confusão entre as mais diferentes áreas’’, reconhece Carneiro.
A vestibulanda Karin Yurika Fujiwara, de 18 anos, optou por Engenharia Civil. ‘‘Meu pai é engenheiro e cresci vendo-o fazer projetos e plantas. Além disso, ele vai me ajudar a encontrar um emprego legal’’, afirma.
A mesma sorte não vai ter Helena Rolin, de 17 anos, que vai prestar vestibular para Arquitetura. A escolha foi feita por eliminação. ‘‘Fiquei entre Arquitetura e Publicidade e na última hora fiz a opção’’, afirma. Ela só conversou com um vizinho arquiteto e leu alguns guias de profissões.
Uma amiga das duas, Priscila Walbach Silva, de 18 anos, já está cursando Direito. Minha família toda é da área, como eu não sabia com certeza o que queria, escolhi a que estava mais perto’’, admite. As três disseram que os testes vocacionais, quando aplicados nas escolas, são muito fracos. ‘‘Não dá para confiar neles’’, avaliam. (E.M.)

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