Na análise de conteúdo dos depoimentos, a fisioterapeuta Viviane Costa descobriu cinco estágios principais da percepção do paciente em relação à cadeira de rodas.
Na fase de choque, ele enxerga a cadeira como um equipamento indispensável e não pode fugir dela senão vai precisar ser carregado por alguém. No momento da negação, a cadeira é o símbolo da deficiência e representa o estigma da perda causada pela lesão medular.
Segundo Viviane, na fase de reconhecimento, o paciente passa a ver a cadeira de rodas como um meio de locomoção e transporte e a cadeira passa a ser uma extensão dos membros inferiores. Já a expressão de autonomia é o último degrau da escada que leva à adaptação. ''Representa a liberdade de ir e vir'', compara a fisioterapeuta.
Ela lembra que a pesquisa foi realizada com pacientes com três anos ou mais de lesão medular e que as respostas seriam certamente outras se o indivíduo estivesse no início do tratamento. ''Por isso a importância do atendimento multidisciplinar do paciente que é diferenciado e apresenta múltiplas disfunções'', aponta.
Para Viviane, é fundamental que os profissionais sejam sempre claros e promovam o conhecimento do que aconteceu não só ao paciente, mas também aos familiares. ''Isso significa responder os questionamento de forma verdadeira para não criar falsas expectativas.''
Esclarecer as possibilidades que o paciente pode ter na nova condição de vida e motivá-lo é tão importante quanto atender a família, que são os ouvidos do lesionado no momento em que ele mais nega o problema. ''Familiares também precisam entender que o paciente precisa de tempo, principalmente no início, quando querem culpar alguém até mesmo para suprir o entendimento'', aponta a fisioterapeuta. (M.G.)

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