Ontem foi o Dia Nacional do Hemofílico e o conhecimento sobre a doença é a maior contribuição que as pessoas podem oferecer ao paciente. O Hemocentro Regional de Londrina, instalado no Hospital Universitário (HU), é o único estabelecimento credenciado da região para atender os hemofílicos. Segundo Cristina Faune, hematologista e diretora do Hemocentro, a hemofilia é uma doença hereditária que afeta exclusivamente homens. Ela é caracterizada pela deficiência dos fatores VIII ou IX que são responsáveis pela coagulação do sangue. De acordo com o site da Aventis Behring, que é uma das maiores empresas produtoras de proteínas terapêuticas entre elas os fatores de coagulação , um em cada oito mil homens sofrem dessa doença no mundo.
O Hemocentro de Londrina atende 170 pacientes cadastrados, mas Cristina acredita que haja outros que não fazem o acompanhamento médico. ''Existem três níveis da doença: leve (mais de 5% do fator), moderado (1% a 5% do fator) e grave (menos de 1% do fator). A maioria dos nossos pacientes são do último grupo e fazem a reposição, praticamente, todas as semanas. Os de nível leve quase não aparecem'', explica.
A dificuldade de coagulação do sangue prejudica, principalmente, as articulações e músculos através de sangramentos espontâneos ou traumáticos. O estancamento só é possível através da reposição dos fatores VIII ou IX em, no mínimo, três sessões consecutivas. Há 10 anos, esse processo era feito através da doação de sangue e, por isso, os pacientes estavam mais sujeitos à aquisição de outras doenças como, por exemplo, a Hepatite B, C e a Aids, que matou o cartunista Henfil e o sociólogo Betinho, ambos hemofílicos. Atualmente, os fatores de coagulação são liofilizados transformados em pó num processo industrial que utiliza o sangue como matéria-prima. ''Graças a essa evolução os pacientes ganharam mais qualidade de vida e livraram-se do risco de contaminação'', diz.
Até hoje, esse medicamento é importado pelo Ministério da Saúde que promete, em dois anos, instalar uma fábrica também no Brasil. No País, todo hemofílico é atendido pela rede pública devido ao custo elevado do tratamento. De acordo com a diretora do Hemocentro de Londrina, cada unidade custa US$ 1 e, em cada sessão, o paciente utiliza cerca de 1,5 mil unidades. Com o passar do tempo, esse tipo de paciente tende a desenvolver alguma artropatia crônica (dificuldade na mobilidade das articulações) devido à frequência de sangramentos. Por isso, todo esforço físico deve ser moderado. No caso das crianças, bicicleta e patins, por exemplo, são proibidos. A discriminação que pode surgir a partir dessa limitação física é o principal motivo para os hemofílicos esconderem sua condição. ''Infelizmente, a sensilização popular não pode ajudar em nada esses pacientes'', aponta.
Mais informações sobre o assunto podem ser obtidas no Hemocentro Regional de Londrina através do telefone: (43) 3371-2218, em horário comercial. Os atendimentos, no entanto, são realizados 24 horas por dia o ano inteiro.

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