A psicóloga Mary Neide Damico Figueiró coordena grupos de estudos sobre educação sexual na UEL desde 1995. Idealizado inicialmente para capacitar professores, o Gees interessou profissionais de Saúde e Ação Social e desde 2006 integra o programa Brasil sem Homofobia, do Ministério da Educação.
Para ela, falar tranquilamente de sexo ''é uma luta pela autonomia dos indivíduos''. ''Sexo em si é bom e natural, as relações humanas é que estão deterioradas'', argumenta Mary, alertando que a educação sexual é função da família, em parceria com a escola.
Segundo Mary, é o debate que faz a diferença nos encontros, que reúnem, às quintas-feiras, profissionais de várias áreas do conhecimento com opiniões bastante controversas. ''Alguém só muda se sabe como se sente e porque se posiciona de determinado maneira.''
Mesma dinâmica que move os grupos de estudo é o método que deve ser proposto às crianças e adolescentes: uma aula ativa, que agrega músicas e trechos de filmes à palestra expositiva. Também são propostas atividades extra-classe, como leituras e questionários de autorreflexão. ''Só se consegue uma boa reflexão sobre sexo se o indivíduo não se limitar a um único momento.''
Nos encontros, a psicóloga ensina os profissionais a rever seus tabus e preconceitos mas, principalmente, a nunca defender bandeiras ao explanar o tema aos alunos. ''Jovens devem saber que existem diferentes modos de pensar, que diversos grupos pensam de forma diferenciada sobre o assunto e que eles são capazes de fazer suas próprias escolhas. Ideia é desenvolver a criticidade'', descreve Mary, para quem a sexualidade deve ser debatida desde a educação infantil.
''Uma visão bonita da sexualidade como saber de onde vêm os bebês, o que é gravidez, como acontece o parto, compreender e aceitar as diferenças no corpo de meninos e meninas e até mesmo rever conceitos arcaicos que permeiam as relações de gênero, o velho embate homem x mulher'', destaca a psicóloga.
Para ela, se o tema é tratado com naturalidade, a criança sabe que pode confiar no professor para tirar dúvidas, em qualquer idade. ''Jovens que têm educação sexual de qualidade, a longo prazo, desenvolvem maior senso de responsabilidade. É errado dizer que falar de sexo estimula a criança a querer fazer.'' (M.G.)

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