Curitiba - As correntes católica e comunista foram importantes na constituição do sindicalismo dos trabalhadores rurais do Paraná. ''Ambas foram abortadas com o Golpe de 1964, mas até aquele momento a corrente comunista era mais forte. Fundou a entidade que hoje é a Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Estado do Paraná (Fetaep), criou muitos sindicatos e teve ainda o paranaense José Rodrigues dos Santos como secretário da diretoria da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), fundada em 1963, no Rio de Janeiro'', explicou o professor Osvaldo Heller.
José Rodrigues dos Santos e Antônio Mendonça Conde foram as principais lideranças paranaenses do sindicalismo comunista. ''Eu me filiei ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), em 1953, porque concordava que o regime capitalista favorecia um sistema onde poucos têm muito e muitos quase nada'', justificou Conde, 84 anos, que fundou o primeiro sindicato dos trabalhadores rurais do Paraná e foi primeiro presidente da Fetaep. Segundo ele, a corrente comunista se concentrava na região Norte.
Conde, que reside no Mato Grosso do Sul, contou que os trabalhadores da zona rural viviam, na época, quase que uma semi-escravidão. ''Queríamos ser reconhecidos como cidadãos e por isso lutamos para que as leis fossem praticadas também para os agricultores. Tivemos bons advogados'', lembra ele, dizendo que nunca aceitou participar de luta armada.
''Nunca peguei numa arma, achava que não fazia sentido morrer. Não aceitei participar da Guerrilha do Vale do Ribeira, que foi antes da Guerrilha do Araguaia. Uma professora amiga nossa morreu nesse conflito'', conta
O professor Osvaldo Heller é autor do livro A Foice e a Cruz - comunistas e católicos na história do sindicalismo dos trabalhadores rurais do Paraná. A publicação é fruto da tese de doutorado do docente, pioneira sobre o tema e que foi defendida, em 1993, na língua francesa. (F.G.)

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