Inflação foi o estopim da revolta
Inflação foi
o estopim
da revolta
Até hoje ainda se discutem os motivos que levaram tantas pessoas a se rebelar nos três dias da Guerra do Pente. O consenso geral indica que a insatisfação sobre a situação política e econômica no Estado e no Brasil foram os principais estopins. No Paraná, o então governador Moysés Lupion era alvo de várias acusações de corrupção. No penúltimo ano do governo Juscelino Kubitschek a população começava a reclamar do aumento da inflação.
Até certo ponto pareceu uma manifestação irracional, mas foi uma demonstração de que a insatisfação popular estava reprimida, avalia o reitor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Carlos Antunes. Em 1959, ele tinha 13 anos e conta que soube da Guerra do Pente quando estava brincando na rua e um amigo surgiu com apenas um pé de sapato, retirado da vitrine de uma loja que havia sido depredada.
Naquele ano o advogado Elísio Marques fazia parte da diretoria da União Curitibana dos Estudantes Secundaristas. Ele diz que participou ativamente dos dois primeiros dias da guerra: Até às nove da noite porque, depois, menores de idade não podiam ficar na rua, relembra.
Hoje ele se diverte com as conotações políticas que o governo tentou impingir à manifestação. Chegaram a dizer que anarquistas espanhóis estavam infiltrados na massa revoltada. O Reitor da UFPR concorda: Também tentaram acusar os comunistas pelo protesto.
Nesta sexta-feira, para relembrar a Guerra do Pente, a Central de Movimentos Populares vai realizar um debate no Museu da Imagem e do Som. O documentário ficcional do cineasta Nivaldo Palito Lopes vai ser exibido a partir das 19h. (R.B.N.)





