Ibiporã - Um portal anuncia com orgulho a entrada da Vila Rural de Taquara do Reino, em Ibiporã (14 km a leste de Londrina). A mesma placa, no entanto, também denuncia o abandono de quase metade das casas construídas pela Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) há mais de uma década. As mesmas casas que foram criadas para servir de abrigo para as famílias de bóias-frias da região, hoje refletem a falta de manutenção, resultado, por sua vez, da miséria de grande parte dos moradores.
Telhas quebradas, forros molhados, banheiros com infiltração, pisos esburacados são apenas alguns dos resultados do pouco cuidado que as habitações receberam desde que foram entregues aos trabalhadores rurais volantes. ''Moro aqui há oito anos e há oito anos a casa tem rachaduras e molha toda vez que chove'', comentou o agricultor Jorge Nunes de Jesus.
Ele mora com a esposa e os sete filhos numa casinha destruída pela infiltração. Jesus disse que já cansou de reclamar com a Cohapar e agora busca um empréstimo no banco para poder reerguer a casa. Ele contou que gastou dois sacos de cimento tentando consertar o chão do banheiro, mas que a infiltração acabou com todo o trabalho dele. ''O chão afundou porque quando a casa foi feita a terra não foi socada o suficiente'', avaliou o agricultor. Ele garantiu que nunca atrasou uma prestação sequer da casa e que gastou mais de R$ 60 em fotos do terreno, que devem servir de provas para que a Cohapar tome uma providência.
Mais adiante, na casa onde a viúva Marli Maria Luiz vive com os filhos há dez anos e meio, ''o banheiro apresenta algumas infiltrações e o piso de um dos quartos está rachado'', segundo a nora de Marli, Valdirene Lopes de Oliveira. Oito pessoas dividem o espaço de 44 metros quadrados.
Vizinho de Jorge de Jesus, o aposentado Pedro Zanela vive com a esposa, a filha e um neto numa casa bem acabada, que ele comprou de um antigo morador da vila rural. ''Quando entrei, a casa estava rachada, tinha telha quebrada, gotejamento, piso quebrado'', recordou. Como precisou ampliar a casa para melhor acomodar a família, ele consertou todas as imperfeições.
De acordo com o gerente da Cohapar em Londrina, Helvecio Segantim, a companhia já acionou a seguradora, ''que decidiu não dar cobertura''. ''A seguradora só cobre danos causados por vendaval, inundação, incêndio, desmoronamento ou risco de desmoronamento'', informou. Na vistoria foram assinaladas rachaduras, ''mas o perito não apontou risco de desmoronamento''. ''Apesar dessa ser uma análise subjetiva'', analisou o gerente.
Depois de levantar os principais problemas nas construções, a Cohapar fará um levantamento sócio-econômico das famílias da Vila Rural de Taquara do Reino. ''Vamos enviar os dados para a diretoria da companhia, em Curitiba, e esperar para ver se há recurso disponível para ajudar, nem que for um pouco, na reforma das casas das famílias mais carentes'', declarou Segantim.
Conforme ele, ao todo, a companhia beneficiou, há dez anos, 80 famílias de trabalhadores rurais volantes com um terreno de 5 mil metros quadrados e uma casa de 44 metros quadrados. O levantamento prévio feito pela Cohapar apontou problema na estrutura de 36 casas. ''Quem fez a manutenção devida não teve problemas, mas sabemos que muitas famílias não têm condições financeiras e simplesmente não tomaram a iniciativa de consertar os estragos.''

mockup