Infestação zero
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quarta-feira, 20 de janeiro de 2016
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Oito em cada cem imóveis de Londrina têm focos do Aedes aegypti, transmissor da dengue, febre chikungunya e zika vírus. O número é alarmante e foi detectado por meio do Levantamento Rápido de Índice para Aedes aegypti (LIRAa), feito pelas equipes da Secretaria Municipal de Saúde. No entanto, 13 bairros espalhados por todas as regiões da cidade apresentaram índice zero de infestação. A situação nesses locais é positiva, mas isso não significa que os moradores podem relaxar nos cuidados para eliminação de criadouros do mosquito.
"São resultados de curto prazo e que podem ter alteração", alerta o assessor técnico do setor de endemias da Secretaria Municipal de Saúde, Elson Belisário. Segundo ele, o levantamento feito pelos agentes de endemias é "totalmente confiável" e teve supervisão do Ministério da Saúde. O problema, aponta, é que a amostragem pode ser pequena, atingindo apenas 30 imóveis em determinados bairros.
"O mosquito precisa de três coisas para se reproduzir: da casa, do alimento e de água para se desenvolver. Coincidiu dos imóveis pesquisados não terem os criadouros, mas muitas vezes os mosquitos migram para outros bairros que oferecem melhores condições", explica.
Os bairros com índice zero de infestação são Vale Azul, Royal Tênis, Jardim Cláudia e Campos Elísios (zona sul), Jardim dos Estados, Parque Germano Balan e Residencial Catuaí (zona norte), Centro 2 e jardins Paulista e Oriente (centro), Rancho Alegre (zona leste) e Jardim do Sol 1 (zona oeste).
No Jardim do Sol, é possível notar que grande parte dos imóveis estão livres de objetos que acumulam água de chuva. Basta um giro pelo bairro para constatar que, de forma geral, os quintais estão limpos. O casal Aparecido Martinelli, de 53 anos, e Sônia Prado, de 60, mora na Rua Saturno e garante que mantém uma rotina de "inspeção constante". Martinelli diz que não tem muitos vasos de plantas e prefere plantá-las diretamente no solo. "Não temos nada que acumule água no quintal e quando chove procuro virar as coisas", relata, ao remover uma folha de palmeira seca que poderia acumular água.
Sônia destaca que lava constantemente a vasilha de água cachorro de estimação. "Lavo direto. Já vi duas vezes mosquitos pousarem na vasilha, mas troco sempre a água e não dá tempo de formarem um criadouro", diz.
Para Orival Machado, de 49 anos, também morador do Jardim do Sol, o mérito dos cuidados com o quintal é mais da esposa, que inspeciona o local frequentemente. "Ela sempre está olhando toda a casa", afirma. Mas ele conta que também tem sua parcela de participação no combate aos criadouros do mosquito, uma vez que perfurou todos os vasos e pratos de plantas para evitar acúmulo de água. "A gente faz o que pode", declara.
A cearense Patrícia Santos de Oliveira, de 29, se mudou para Londrina há quatro anos e diz que está acostumada a combater os focos do mosquito, já que Fortaleza, onde morava, sempre teve alto percentual de infestação. "Graças a Deus nunca tive dengue. Meu marido, que é de Londrina, já pegou uma vez, mas isso foi quando ele morava em outro bairro", revela. Mãe de uma menina de 1 ano e meio, ela diz que a doença é uma preocupação constante. "Meus vizinhos também cuidam bem. Nunca ouvi falar de ninguém que tenha contraído dengue entre meus vizinhos", diz.
Para a Secretaria Municipal de Saúde, a aplicação de inseticida em 40% da área urbana de Londrina pode ter "afugentado" o mosquito para bairros periféricos. Segundo Belisário, a pasta fez um trabalho para levar informação ao moradores dessas regiões com baixo índice de infestação. "Fizemos várias reuniões nesses locais. Isso é resultado do trabalho que fizemos", destaca.


