Infestação preocupa moradores
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 06 de novembro de 2008
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
A divulgação do quarto Levantamento do Índice Rápido do Aedes (Lira) feita nesta semana pela Secretaria Municipal da Saúde deixou moradores do Parque São Jorge (Zona Norte) preocupados. A pesquisa, feita entre os dias 27 e 31 de outubro, indicou que dos 18 extratos, aquele em que está localizado o bairro apresentou o maior índice de infestação do mosquito transmissor da dengue, Aedes aegipty, com 1,8%. O recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para se evitar epidemia da doença deve ficar abaixo de 1%. Apesar do alto índice naquela região, o município registrou um índice de 0,3%.
Lucinéia de Oliveira Rocha, moradora do bairro, diz que é difícil conscientizar toda a comunidade, mas não deixa de fazer a parte dela. Eu tenho preocupação com a dengue e por isso faço de tudo para não deixar qualquer tipo de lixo no chão. Saio pegando garrafas, papéis de sorvete e até mesmo tampinhas de garrafas, pois sei que mesmo pequenas podem acumular água, afirmou. Assustada com o alto índice de infestação, Lucinéia defendeu mais arrastões de limpeza. Acho que o pessoal da Secretaria tem que ficar em cima e fazer mais arrastões para garantir que ninguém fique doente.
Apesar do esforço de muitos, o descaso de alguns compromete o trabalho de pessoas como da dona de casa Haydeé Lara, moradora do local há mais de dez anos. Eu cuido da minha casa, mas o problema está naqueles que não dão atenção devida à situação. Eu vejo muita gente fazendo coisa errada, mas como vou fazer algo?, argumentou. Segundo ela, muitos moradores da região, que são catadores de lixo reciclável, depositam entulhos nos arredores do bairro. Além do perigo da doença, junta muito bicho como ratos e mosquito, completou.
A costureira e catadora de reciclados, Vera Lúcia, diz que não pode ser responsabilizada pela atitude de terceiros. Eu e meu marido tomamos conta de todo nosso material. Não deixamos acumular e fazemos limpeza do que não pode ser aproveitado toda a semana. As pessoas têm que ter disciplina e cuidados com a higiene. Na sua opinião, quem joga lixo em local proibido deveria ser multado. Poderiam colocar uma placa aqui nesse local e quem fosse visto jogando entulho sem autorização levaria uma multa, sugeriu.
De acordo com a diretora de Epidemiologia e Informações em Saúde, Sônia Fernandes, 99% dos focos encontrados no levantamento estão nas casas e imóveis comerciais. Por isso, segundo ela, a secretaria vai promover ações diferenciadas para o combate ao mosquito nesses locais. Precisamos promover ações educativas com uma nova abordagem. Não adianta mais fazer os mutirões, já que os focos estão se ampliando dentro das casas, observou. Hoje, às 8 horas, haverá uma reunião, na Vila da Saúde, para a apresentação dos resultados do Lira ao Comitê Municipal de Prevenção à Dengue.
Neste ano foram registrados 111 casos de dengue, sendo 96 são autóctones (contraídos na própria cidade) e 15
importados.


