Cambé Armar ratoeiras, esperar o desarme e matar ratazanas a pauladas vem sendo uma rotina noturna da bicicleteira Marísia Evangelista Francisca, 37 anos, uma das vítimas dos roedores que começaram a se proliferar em Cambé (13 km a oeste de Londrina) nos últimos seis meses. Na última semana, as reclamações e queixas foram tantas que assustaram a Vigilância Sanitária. Anteontem foi iniciada uma mobilização para minimizar a infestação, com distribuição de 10 mil folders e orientações aos moradores das áreas mais afetadas.
Marísia e seu marido, que moram no número 205 da Rua Chavantes, no Jardim Tupi, mataram duas ratazanas no fim de semana passado. ''Como as ratoeiras não conseguem matar os bichos, temos que dar jeito com o cabo de vassoura mesmo'', relatou a comerciante. Um pouco mais acima, no número 219, as ratazanas só sumiram quando três gatos foram levados para o local.
''Já matamos várias, mas agora os gatos estão espantando os bichinhos. Só o 'Menino' é que mata mesmo, mas como os ratos são muito grandes, ele não consegue comer'', explicou a dona de casa Helena Rodrigues dos Santos, 28 anos. Assim como na casa de Marísia, as ratazanas estão entrando pelo banheiro. ''Roeram o ralo de plástico inteirinho'', disse Helena. As vizinhas acreditam que os roedores apareceram por causa da nova rede de esgoto implantada no local.
Na Vila Brasil, o problema também é sério. O aposentado Pedro del Fiori, 82 anos, diariamente arma sua ratoeira sobre o banheiro. Também espalha ''chumbinho'', veneno raticida, sobre o local. Desistiu de contar a quantidade de bichos que já teve que caçar em sua casa, no número 90 da Rua Recife. ''Não dá mais prá deixar comida fora'', lamentou Encarnação, 77 anos, esposa de Pedro.
A Vila Brasil e localidades como Vila Operária, Morada do Sol, Jardim do Lago e Vô Zezinho estão entre as de maior incidência de ratos e reclamações, disse Rubênia Costa, chefe da Vigilância Sanitária de Cambé. Por isso, o órgão está trabalhando em distribuição de folders e orientação da comunidade.
A administração municipal também iniciou a limpeza de 212 terrenos baldios e fundos de vale. Iscas parafinadas estão sendo instaladas nas bocas-de-lobo. A maior preocupação é com o aparecimento de doenças como a leptospirose, causada por bactérias e transmida pela água contaminada com a urina do rato, ou mesmo o perigoso hantavirus, também transmitido pelo rato e que provoca pneumonia aguda na vítima.
A recomendação da Vigilância Sanitária é cuidar bem da limpeza. Restos de comida, por exemplo, devem estar bem acondicionados no lixo. ''A ração dos cachorros é um dos maiores atrativos para os ratos e deve ser retirada no período da noite'', aconselha Natanael Ibiapina, fiscal da Vigilância do município.
A assessoria de imprensa da Sanepar informou ontem que a empresa não recebeu nenhuma reclamação sobre as ratazanas e desconhecia a possibilidade de que o problema possa ter piorado com a instalação da rede de esgoto em localidades de Cambé.

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