Lucinéia Parra
Enviada a Santa Fé
A infestação de moscas em Santa Fé (47 km ao norte de Maringá) está gerando reclamações dos moradores e troca de acusações entre poder público e iniciativa privada. A secretária de Saúde Ilda Pavan e o técnico em saneamento Robison Rui dizem que não podem fazer ‘‘quase nada’’ para sanar o problema. Segundo eles, as moscas que infestam a cidade são criadas pela usina álcool de Alto Alegre para combater a broca da cana-de-açúcar.
O engenheiro agrônomo da usina, Marcelo Tenório de Freitas, negou ontem a criação de moscas. ‘‘A infestação da broca nos canaviais da região não justifica o controle biológico’’, explica. Ele disse que a usina está aberta para as autoridades sanitárias que desejam investigar a proliferação de moscas.
A presença maciça das moscas na cidade motivou a vereadora Dulcilente Brambilla (PMDB) a entrar com uma indicação na Câmara pedindo providências. Ela afirma que o problema se agravou nos últimos dois meses e que as moscas, principalmente varejeiras, invadem as residências durante o preparo do almoço e jantar. Ela sugere que a prefeitura inicie uma campanha de conscientização sobre os cuidados que a comunidade deve ter para evitar a proliferação das moscas.
De acordo com a vereadora, as moscas estão ‘‘invadindo’’ Santa Fé devido o acúmulo de lixo nas calçadas, falta de cuidados de alguns moradores que mantêm as latas de lixo abertas, presença de reservatórios com lavagem (restos de comida que servem de alimentação para porcos) nos fundos dos quintais, criação de porcos e galinhas no perímetro urbano e ainda a má conservação do lixão. ‘‘Os caminhões não tomam cuidados e deixam o lixo cair pelas ruas até chegar ao lixão’’, denuncia.
A dona de casa Carmem de Rossi diz que as moscas incomodam muito e a maioria dos moradores não sabe mais o que fazer para acabar com elas. ‘‘Eu fecho toda a casa antes de fritar carne, mas mesmo assim elas atacam’’, reclama. As vizinhas de Carmem também se previnem colocando pano no vão sob as portas para impedir a entrada das moscas.
Conforme a secretária de Saúde de Santa Fé, diversas alternativas para acabar com as moscas já foram tentadas sem sucesso. Ela cita, por exemplo, a limpeza de bueiros. Recentemente, a secretaria de Saúde também requisitou à Fundação Nacional de Saúde (FNS) para que fizesse uma pulverização de inseticida na cidade.
O pedido foi negado porque a FNS só aplica veneno nos municípios com índice elevado de dengue. A secretária disse anteontem, que tinha ouvido falar que as moscas que atacam a cidade são criadas na Usina Alto Alegre. ‘‘Se isso for mesmo verdade não temos mais nada a fazer’’, afirmou. Já o técnico em saneamento Robison Rui, chegou a afirmar que a origem das moscas era os canaviais.
Depois voltou atrás e disse que ‘‘há suspeitas de que as moscas são criadas na usina’’. Rui explicou ainda que a secretaria vai deflagrar uma campanha de conscientização dos moradores, alertando principalmente sobre os cuidados com os sacos de lixo domiciliar e com os recipientes para lavagem. Ele negou que exista criadores de porcos e galinhas no perímetro urbano.

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