No bairro Três Lagoas há uma concentração de ''inferninhos''. É um habitat desolador. Ruas de terra, mal iluminadas, casebres miseráveis. As casas de prostituição são um misto de botequim com boate. São frequentados por homens cuja faixa etária dificilmente é inferior há 40 anos. Prostitutas muito experientes disputam espaço com aparentes adolescentes, a maioria garotas paraguaias que portam documentos falsos e assim se tornam adultas.
Anteontem, em uma blitz de combate à exploração sexual de menores, estes documentos eram lançados em pleno programa pelas frestas da porta. Algumas saíram enroladas em lençóis, assustadas com o risco de perder o ganha-pão. Algumas se protegiam nos braços dos clientes. Nos prostíbulos de Três Lagoas, há sempre um longo corredor, pouco iluminado, sem ventilação, luz natural e mal cheiroso, com quartos onde se espremem uma cama e um pequeno guarda-roupa.
Mas a prostituição da periferia, além de internacional, tem outra peculiaridade na fronteira. Quem manda nas casas, não admite uso de drogas, que acabariam prejudicando o consumo de bebidas, fonte de renda quase tão importante quanto a ''comissão'' cobrados nos programas.
Sem a ''pedra'', as meninas tem um aspecto mais saudável. Carla, diz ter 19 anos, mesma idade alegada por Caetana. Morena, olhar vivaz, com um perfume forte, Carla diz que está há apenas um mês no local. A loura Caetana fala pouca. Ambas não tem documentação. São orientadas pelos integrantes da blitz a providenciarem logo os documentos. Prometem tomar a medida e são liberadas.
Caetana tem um rosto de menina. Se abrissem as apostas, não haveria quem arriscasse que ela tem mais de 15 anos. É de Ciudad del Este e conterrânea de Carla. A morena diz gastar o dinheiro gasto nos programas R$ 30,00 por um ''quase'' completo em roupas, calçados e perfumes. ''Sobra um pouquinho e mando para minha mãe'', diz, quase sem sotaque.

mockup