Infecção por fungo causou morte de bebê
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quinta-feira, 02 de outubro de 2003
Fernando Rocha Faro<br>Reportagem Local 
A morte do menino de 32 dias, ocorrida na noite de terça-feira, no Hospital Universitário (HU) de Londrina, não foi causada pelas bactérias que contaminaram o setor de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal e Unidade de Cuidados Intermediários (UCI). De acordo com o resultado dos exames divulgado ontem, a infecção generalizada, que acarretou falência múltipla dos órgãos, foi provocada pelo fungo Candida albicans.
''É um colonizante normal, existente no intestino, boca, vagina. Todos têm. Mas em organismos debilitados, como aidéticos, portadores de câncer ou recém-nascidos prematuros, passa a ser virulento'', explicou o microbiologista Emerson Danguy Cavassin, integrante da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH).
Segundo ele, a contaminação pelo fungo pode ocorrer desde o primeiro contato do recém-nascido com o ambiente. ''É natural a colonização da criança durante o parto'', enfatizou. O Candida albicans pode causar ''sapinho'' e corrimento vaginal.
A ala pediátrica do HU foi fechada na segunda-feira após constatação de um surto de contaminação por dois tipos de bactéria: Escherichia coli e Klebsiella pneumoniae. Os exames de cultura colhida no fim de semana na criança deram resultado negativo para as duas bactérias.
O diretor-clínico do hospital, Sinésio Moreira Júnior, havia admitido na segunda-feira que a superlotação seria ''uma das possíveis causas'' da contaminação. O HU possui dez vagas de UTI e sete de UCI, mas abrigava 22 bebês até o início da semana. Duas crianças foram liberadas anteontem.
O resultado dos exames dos outros 19 bebês, que permanecem internados na ala pediátrica, será conhecido hoje. O objetivo é detectar se as outras crianças foram contaminadas pelas duas bactérias. A Escherichia coli e a Klebsiella pneumoniae podem causar pneumonia e infecção urinária.
A Maternidade e o Pronto Socorro Obstétrico ainda funcionam parcialmente. Somente são feitos partos de gestantes de 36 semanas ou mais consideradas de baixo risco cujos bebês não precisam de internamento nas unidades. Gestantes prematuras são encaminhadas para a Central de Leitos.


