Muitas pessoas estão mais sujeitas a sofrer uma infecção do coração devido à má-formação das válvulas do miocárdio causada pela incidência de bactérias na corrente sanguínea. Geralmente, a porta de entrada para essas bactérias no organismo é a colocação de um marca-passo, cirurgias de estômago, de intestino, da próstata, da vesícula biliar. Porém, a infecção também pode ser originada em um tratamento dentário, realização de tatuagens ou até mesmo a colocação de um piercing.
Foi o que aconteceu com o fotógrafo e estudante de Desenho Industrial Rafael Sávio Loureiro, 20 anos, que descobriu que tinha um sopro no coração aos 14 anos de idade. Além do sopro, foi constatado que ele tinha uma endocardite, nome dado à infecção do coração. ''Foi durante um exame de rotina que foi constatado que eu tinha um sopro discreto, algo bem sutil, e um exame mais aprofundado constatou que eu tinha endocardite'', reforçou.
Na época, Loureiro escondia do pai que havia colocado um piercing na boca. ''Antes de chegar perto de meu pai eu retirava o piercing, mas eu devia imaginar que fazer isso enquanto a ferida estava cicatrizando não poderia dar certo'', relata. O resultado foi que ele teve uma infecção. E caso não fosse tratada poderia obrigá-lo a realizar uma cirurgia para colocar uma válvula artificial, que deveria ser trocada a cada ano e, mesmo assim, havia um alto risco de morte.
Loureiro permaneceu internado durante um mês e meio e ficou mais dois meses em tratamento domiciliar. Desde então ele precisa realizar exames anuais e utilizar medicamentos de uso contínuo.
O cardiologista do Hospital do Coração de Londrina, Antônio Izidoro Furlan, revela que a colocação de piercings em regiões com maior incidência de bactérias (como a região da boca, genitália ou mesmo no umbigo) aumenta o risco de endocardite. ''Como médico não recomendaria que as pessoas coloquem piercings, mas cada um tem o seu modo de ver. O importante é alertar as pessoas que existe um risco'', observa. Se a infecção não for tratada, diz Furlan, pode resultar em um quadro de septicemia, ou seja de infecção generalizada que resulta na morte da pessoa.
Furlan explica que em uma endocardite a bactéria come a válvula da pessoa, formando uma vegetação dentro do coração semelhante a uma couve-flor. ''A bactéria pode se soltar e ir para a circulação sistêmica, com 80% a 90% de chance de ir para o cérebro'', expõe. Furlan explica que a anatomia da aorta e dos vasos cerebrais propicia uma chance maior de que esse fragmento de vegetação não faça a curva dentro do corpo e isso aumenta as possibilidades de causar um abcesso cerebral. ''Ele vai parar em algum lugar e quando vai para o cérebro forma um êmbolo que resulta em sequelas semelhantes a um derrame'', detalha.

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