As baixas temperaturas oferecem mais riscos para quem sofre de hipertensão e outras doenças cardíacas. De acordo com o cardiologista Willyan Nazima, pesquisas indicam que a incidência de infartos aumenta 30% quando as temperaturas estão abaixo de 17 graus.
A causa é a ativação do sistema adrenérgico. Conforme o médico, o corpo libera mais adrenalina, que faz a pressão subir e o coração acelerar, além de estimular a vasoconstrição (contração dos vasos arteriais). ''Tudo isso aumenta as chances de infarto'', esclarece, lembrando que a estatística aplica-se ao Brasil, onde o clima é tropical. ''Nos países frios, a genética das pessoas é mais adaptada às baixas temperaturas.''
O cardiologista ressalta que a pressão arterial também aumenta no frio. ''Pacientes com a pressão controlada passam a ter crises de hipertensão'', afirma. Acidentes vasculares cerebrais, angina e arritmias também aumentam nessa época. Por isso, ele recomenda cuidados redobrados para quem apresenta fatores de risco, o que inclui idosos, pessoas com problemas coronarianos, hipertensos e diabéticos.
A prevenção é simples. Além do controle rigoroso da pressão arterial por meio da realização de aferições mais frequentes, Nazima orienta evitar a exposição ao frio com sistemas de aquecimento e roupas adequadas. Ele lembra que o consumo de sal, normalmente maior no inverno, deve continuar moderado.
A nutricionista Katia Favoreto Nery acrescenta que o exagero no consumo de alimentos gordurosos durante o inverno deve ser evitado. ''A recomendação vale para todos, e não só para quem está no grupo de risco.'' Quando a ingestão de gordura for inevitável, o ideal é consumir fibras que melhoram a digestão e ''carregam'' parte da gordura. ''Por isso é que a laranja e a couve sempre acompanham a feijoada'', exemplifica. (C.A.)

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