Esgueirando-se por entre o trânsito, o garoto branco estica as mãos pálidas em direção à janela do carro. Como num caça-níquel, uma moedinha cai por entre os dedos encardidos que rapidamente se encarregam de proteger a gorjeta. Na calçada, o garoto negro espera ansioso o retorno do colega. Vão comer? Dar de comer aos irmãos mais novos? Quase sempre não. O mais comum é esta mesma moedinha engordar os lucros do traficante mais próximo. Assim como em outras grandes cidades, em Londrina, meninos e meninas perdem a infância nos semáforos à espera da esmola dada por motoristas constrangidos pelo choque em preto e branco da realidade sobre a condição humana.
  Os dois amigos pedintes, de 13 e 18 anos, passam dias e noites num dos pontos mais movimentados da Avenida 10 de Dezembro, bem à vista de quem passa. Só saem dali para consumir crack: são pelo menos 20 pedras por dia. Para a promotora da Vara da Infância e Juventude, Édina Maria de Paula, o problema crucial da mendicância é que quem pede não tem a própria dignidade reconhecida. Para a coordenadora do Projeto Sinal Verde, Silvana Palácio, trabalhar com crianças e adolescentes em situação de rua é um desafio. ‘‘É um processo difícil e o que acaba restringindo muito o trabalho é a resistência do próprio adolescente. Na rua, ele estabelece outros vínculos e para resgatá-lo desse mundo é muito complicado’’, observa.


A droga eleva a temperatura corporal, podendo causar um acidente vascular cerebral; também destrói neurônios e provoca a degeneração dos músculos do corpo


Deixou de ser contravenção penal recentemente com a Lei 11.983/09 que revogou artigo 60 da Lei das Contravenções Penais (LCP - Decreto-lei 3.688, de 1941), que previa prisão para pessoas que praticam a mendicância


O Programa Folha Cidadania tem como objetivo criar o hábito de leitura entre os jovens.

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