INFÂNCIA EM RISCO - Quando as brincadeiras dão lugar a subempregos
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quinta-feira, 10 de março de 2011
Carolina Avansini <br> Reportagem Local 
Quando tinha apenas 11 anos, Leonardo Diego, morador da Zona Leste de Londrina, substituiu as atividades corriqueiras da infância pela rotina de vender flores, carregar vasos pesados, limpar túmulos e cuidar de carros na porta de um cemitério. Fora da escola em virtude de uma briga com colegas, ele passou a acompanhar a avó e, ''por medo de ficar na rua e se envolver com drogas'', acabou entrando precocemente no mundo do trabalho informal.
A história de Leonardo - que conseguiu superar o problema com apoio de um projeto social - engrossa as estatísticas do trabalho infantil no Paraná. Pesquisa realizada pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) revela que, apesar da ocupação irregular de crianças e adolescentes apresentar declínio, o Estado ainda registra índices elevados, ocupando o quarto lugar no ranking do trabalho infantil no Brasil.
O estudo foi publicado em 2007, baseado em informações do Censo de 2000 e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2005. De acordo com o relatório, batizado de ''Mapa do Trabalho Infanto-Juvenil no Paraná'', existem 36.458 crianças de 10 a 13 anos trabalhando em municípios paranaenses, o que perfaz 4,9% do grupo etário. Entre os adolescentes de 14 a 17 anos, foram contabilizados 216.798 trabalhadores, representando 28,75% do total.
A proporção média de ambas as faixas é de 16,9% de crianças e adolescentes trabalhadores, o que supera a média nacional de 14%. ''Apesar dos números estarem desatualizados, sabemos que esse é um problema que não foi erradicado'', afirmou Marcelo Adriano da Silva, procurador do Ministério Público do Trabalho em Londrina.
No município, o mapa do Ipardes identificou 770 trabalhadores de 10 a 13 anos e 8.241 de 14 a 17 anos. ''Grande parte das denúncias que recebemos são de crianças e adolescentes atuando como vendedores ambulantes em praças e logradouros públicos'', disse. Há registros, também, de meninos e meninas trabalhando em lava-rápidos e com panflentagem.
Para o procurador, o ingresso precoce nessas atividades gera um círculo vicioso que contribui para manter as vítimas em situação de pobreza e risco social. Obrigadas a abrir mão da infância em troca de subempregos no mercado informal, 95% delas continuam na classe de onde são oriundas. ''Crianças que começaram a trabalhar precocemente e conseguiram boas oportunidades são excessões que contrariam a regra'', reforçou.
De acordo com o procurador, a solução para a exploração depende da repressão aos exploradores e também da oferta de oportunidades para que essa parcela da população possa entrar dignamente no mercado legal, o que é permitido a partir dos 14 anos em projetos que obedeçam a chamada Lei do Aprendiz.
''Crianças e adolescentes trabalham por necessidade, em virtude da omissão do Estado que não oferece programas suficientes de contraturno escolar e formação profissional. O País caminha para o desenvolvimento. Por isso, é preciso formar pessoas aptas a ocuparem um mercado de trabalho que exige cada vez mais especialização'', avaliou, lembrando que o combate ao trabalho infantil é uma meta institucional do Ministério Público do Trabalho.


