Quando tinha apenas 11 anos, Leonardo Diego, morador da Zona Leste de Londrina, substituiu as atividades corriqueiras da infância pela rotina de vender flores, carregar vasos pesados, limpar túmulos e cuidar de carros na porta de um cemitério. Fora da escola em virtude de uma briga com colegas, ele passou a acompanhar a avó e, ''por medo de ficar na rua e se envolver com drogas'', acabou entrando precocemente no mundo do trabalho informal.
A história de Leonardo - que conseguiu superar o problema com apoio de um projeto social - engrossa as estatísticas do trabalho infantil no Paraná. Pesquisa realizada pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) revela que, apesar da ocupação irregular de crianças e adolescentes apresentar declínio, o Estado ainda registra índices elevados, ocupando o quarto lugar no ranking do trabalho infantil no Brasil.
O estudo foi publicado em 2007, baseado em informações do Censo de 2000 e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2005. De acordo com o relatório, batizado de ''Mapa do Trabalho Infanto-Juvenil no Paraná'', existem 36.458 crianças de 10 a 13 anos trabalhando em municípios paranaenses, o que perfaz 4,9% do grupo etário. Entre os adolescentes de 14 a 17 anos, foram contabilizados 216.798 trabalhadores, representando 28,75% do total.
A proporção média de ambas as faixas é de 16,9% de crianças e adolescentes trabalhadores, o que supera a média nacional de 14%. ''Apesar dos números estarem desatualizados, sabemos que esse é um problema que não foi erradicado'', afirmou Marcelo Adriano da Silva, procurador do Ministério Público do Trabalho em Londrina.
No município, o mapa do Ipardes identificou 770 trabalhadores de 10 a 13 anos e 8.241 de 14 a 17 anos. ''Grande parte das denúncias que recebemos são de crianças e adolescentes atuando como vendedores ambulantes em praças e logradouros públicos'', disse. Há registros, também, de meninos e meninas trabalhando em lava-rápidos e com panflentagem.
Para o procurador, o ingresso precoce nessas atividades gera um círculo vicioso que contribui para manter as vítimas em situação de pobreza e risco social. Obrigadas a abrir mão da infância em troca de subempregos no mercado informal, 95% delas continuam na classe de onde são oriundas. ''Crianças que começaram a trabalhar precocemente e conseguiram boas oportunidades são excessões que contrariam a regra'', reforçou.
De acordo com o procurador, a solução para a exploração depende da repressão aos exploradores e também da oferta de oportunidades para que essa parcela da população possa entrar dignamente no mercado legal, o que é permitido a partir dos 14 anos em projetos que obedeçam a chamada Lei do Aprendiz.
''Crianças e adolescentes trabalham por necessidade, em virtude da omissão do Estado que não oferece programas suficientes de contraturno escolar e formação profissional. O País caminha para o desenvolvimento. Por isso, é preciso formar pessoas aptas a ocuparem um mercado de trabalho que exige cada vez mais especialização'', avaliou, lembrando que o combate ao trabalho infantil é uma meta institucional do Ministério Público do Trabalho.

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