Londrina - Duas em cada dez crianças de Londrina fazem parte das estatísticas de abandono de imunização no município. A estimativa é da Secretaria Municipal de Saúde e envolve, segundo a Coordenação de Imunização da pasta, crianças menores de 1 ano de idade. A maior parte delas tende a tomar as vacinas prescritas com faixa etária acima do recomendado, ficando, quando bebês, desprotegidas de doenças que acometem com mais gravidade este público.
Moradora do Jardim União da Vitória, na zona sul da cidade, a dona de casa Alessandra (nome fictício), de 23 anos, enumera os motivos que a obrigam a atrasar a vacinação dos filhos. Ela é mãe de quatro crianças – três meninas de 8, 4, e 3 anos e um menino de 1 ano e meio. "Infelizmente não tenho com quem deixar as crianças para ir levar um de cada vez no posto. Hoje é para fazer a vacina de um, no dia seguinte já tenho que levar outra criança. As datas são diferentes", queixa-se.
Nas carteirinhas de vacinação sobram espaços com as datas que deveriam ser preenchidas com o registro de novas imunizações. O filho mais novo ainda não recebeu vacinas que deveriam ter sido aplicadas em dezembro. A menina de 3 anos também deveria ter voltado a receber doses no início de fevereiro, o que não ocorreu. "Já me falaram que vão mandar o Conselho Tutelar atrás de mim, mas não levo porque não tem jeito mesmo. Tenho medo que eles fiquem doentes, mas não consigo ir no posto nem para retornar no ginecologista", justifica.
A coordenadora Municipal de Imunização, Sônia Fernandes, relata que é comum encontrar crianças que estão completando com 2 anos um esquema de vacinação que deveria ter sido concluído até 1 ano de idade. Essa estatística de abandono vacinal inclui desde as famílias que precisam recorrer às unidades básicas de saúde para ter acesso à imunização como aquelas que são atendidas em clínicas particulares. "Como temos um histórico bom de cobertura vacinal, a maioria das doenças está controlada. Assim, as pessoas acham que não é preciso vacinar", observa Sônia.
O reflexo deste tipo de raciocínio, comenta a coordenadora, pode ser sentido em algumas campanhas, que já não apresentam índices de adesão como no passado. Em 2014, por exemplo, a vacinação contra a paralisia infantil teve cobertura de 80%, sendo que o recomendado pelo Ministério da Saúde é de pelo menos 95%. "O ano passado não foi um bom ano para a vacinação, tivemos muitos eventos no País, como a própria Copa do Mundo", assinala.
O pagamento do Bolsa Família, do governo federal, tem entre suas condicionantes a apresentação da carteirinha de vacinação das crianças preenchida. Mas nem isso faz com que as famílias sigam à risca o calendário de vacinação infantil, segundo a coordenadora de Imunização.
Ao todo, 26 doses precisam ser tomadas até os 4 anos de idade. Na rede pública de saúde estão disponíveis as vacinas contra as seguintes doenças: febre amarela, sarampo, rubéola, caxumba, varicela, tétano, difteria, hepatites e meningite. Depois desta idade, devem ser feitos alguns reforços a cada dez anos e, no caso das meninas, a vacinação contra o vírus HPV na adolescência. Esta vacina tem distribuição gratuita, pelo Ministério da Saúde, restrita à faixa etária de 9 a 11 anos.

Imagem ilustrativa da imagem Infância desprotegida
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