A Promotoria de Proteção ao Meio Ambiente abriu inquérito para investigar danos ambientais provocados pelas companhias Fiat Lux, Brahma e Leão Júnior em área central de Curitiba. As três indústrias estão localizadas numa região de intenso tráfego, próxima a Rodoferroviária, e são acusadas de poluirem o ar e a água, jogando esgoto, resíduos, fumaça, produzindo mau-cheiro e ruídos, ao manterem atividades durante 24 horas por dia.
‘‘Se os danos ao meio ambiente forem comprovados, poderemos pedir a transferência dessas empresas para a Cidade Industrial’’, afirma o promotor Edson Peters, que percebeu os problemas causados pelas indústrias porque trabalha ao lado delas na Avenida Iguaçu, sede da promotoria. Segundo ele, o Ministério Público poderá pedir também a transferência da Rodoferroviária. ‘‘A própria prefeitura considera esse local como um setor que precisa ser recuperado’’, diz o promotor.
A Fiat Lux é acusada de lançar resíduos industriais, sem qualquer tratamento, em córrego que desemboca no rio Belém. A denúncia foi baseada em laudo da Sanepar, confirmando que a empresa joga esgoto de banheiros, cozinhas e resíduos, diretamente nas galerias. ‘‘Estamos investigando também, que tipo de produto contém a fumaça negra que a Fiat Lux joga no ar, através de suas chaminés’’, explica.
A indústria confirma que foi notificada para modificar seu sistema de esgoto, mas alega que precisa de mais tempo para terminar as obras, e diz que foi surpreendida pela abertura do inquérito. ‘‘Acertamos com a Sanepar que teríamos até fevereiro do ano que vem para terminar essas obras’’, diz Gelson de Jesus, gerente de recursos humanos da Fiat Lux.
O constante tráfego de caminhões que carregam e descarregam na Brahma e na Leão Júnior, junto com o trânsito de ônibus da Rodoferroviária, aumenta os congestionamentos em toda a região e provoca mais poluição. ‘‘Isso prejudica toda a população da região e indica a necessidade de transferência das empresas e até da Rodoferroviária para outra área’’.

mockup