Uma indústria de reciclagem de chumbo para fabricação de baterias, que está sendo construída no km 306 da BR-376, na Serra do Cadeado, em Mauá da Serra, preocupa a comunidade por causa do risco de contaminação aos afluentes que desaguam no Rio Tibagi. O alerta foi feito ontem na Câmara Municipal de Londrina por uma Organização Não-Governamental (ONG) e por um advogado que representa proprietários de terras dos arredores da obra. Eles estão atrás de apoio para barrar o empreendimento e já conseguiram, inclusive, coletar cinco mil assinaturas.
O presidente da Organização dos Movimentos Populares Nacional e Internacional do Brasil (ONG-Mopnib), Jurandir Rosa, demonstrou por fotos que a obra já está adiantada. Ele apontou que cursos d'água que alimentam o Rio Tibagi, que é usado na captação para abastecimento de água de Londrina e região, nascem nas proximidades e podem ser contaminados com chumbo, um metal cancerígeno.
O advogado Hamilton Laertes Araújo indicou ainda que a empresa pretenderia recolher materiais de outras cidades para depositar no local, o que aumentaria ainda mais os riscos. ''Essa fábrica vai fatalmente poluir o rio Tibagi'', destacou. Ele afirmou que os riscos que a obra traria já foram informados ao governo do Estado, promotorias do Meio Ambiente de diversas comarcas da região e à Sanepar, já que a captação de água é feita abaixo do local onde está situado o depósito.
Ontem, eles estiveram na Câmara de Londrina pedindo apoio político para tentarem embargar a obra. Dentro de duas semanas, chacreiros e ambientalistas pretendem fazer uma passeata no local onde está sendo construída a empresa.
O pedido de licenciamento da indústria foi protocolado junto à regional do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) de Ivaiporã há cerca de 10 dias, informou o chefe regional, Maurício Frederico. Ele afirmou que não tinha conhecimento de que os empreendedores já haviam iniciado as obras e hoje deve enviar uma equipe de fiscais até o local. ''Se nessa intervenção ocorreu algum dano ambiental (o empreendedor) está passível de autuação'', adiantou, explicando que na fase de licenciamento não é permitido intervir no terreno.
A análise técnica do empreendimento está sendo feita pelo engenheiro químico do IAP de Londrina, Nelson Pereira. À Folha, ele avaliou que são quase nulos os riscos de contaminação dos afluentes e nascentes do entorno. ''Esse risco é praticamente nulo, porque estamos exigindo todos os sistemas de filtragem necessários. Pelo menos até o presente momento, não vi nada de anormal, está tudo dentro da conformidade'', atestou. Em contrapartida, destacou que o risco maior é de poluição atmosférica. Pereira informou que o empreendimento já obteve o licenciamento prévio e está na fase de licença de instalação.
Nenhuma das fontes ouvidas soube precisar quem seriam os empreendedores.

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