Indústria polui ar e incomoda moradores
Lucilia Okamura
De Londrina
Uma fuligem preta que sai de uma indústria de metalurgia tem causado transtornos aos moradores da Rua Henrique Dias, no Parque Manella, em Cambé (13 km a oeste de Londrina). Eles reclamam que a sujeira nas casas é constante e que a poluição agrava a saúde de quem tem problemas respiratórios. Técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) devem vistoriar a indústria hoje.
Faz 20 anos que moro aqui e o problema nunca teve solução, afirma a dona de casa Jacira Manchego, moradora da casa número 110, que fica em frente à Multimetal Indústria Metalúrgica. Mostrando uma pequena bacia cheia de pó preto que ela recolheu varrendo o piso, ela contou que não adianta limpar a casa porque, logo em seguida, junta sujeira novamente. Se eu coloco roupa branca no varal, quando seca ela está cinza, diz.
Além da sujeira, Jacira reclama dos problemas de saúde que, segundo ela, são causados pela fuligem. Meus olhos ardem e o cheiro é insuportável, conta. Meu marido sofre de bronquite e com essa poluição, a situação dele fica pior.
A comerciante Sandra Maria Ferraz mora na rua há seis anos e também reclama da sujeira na casa provocada pela fuligem. Ela faz questão de mostrar o pó que junta no quintal da casa. Às vezes, meu marido e eu queremos fazer um churrasco, mas com esse pó preto não dá, lamenta.
Sandra diz ainda que o barulho provocado pelas máquinas incomoda os moradores, principalmente à noite. O barulho faz a casa vibrar, afirma. Quando eu me mudei para cá, eu não conseguia dormir à noite. Depois fui me acostumando, ressalta.
Sandra afirma que conversou várias vezes com representantes da indústria, mas nenhuma providência foi tomada. Quando eu ligo, o problema é amenizado, mas depois eles voltam a soltar a fuligem, afirma. Ela explica que os moradores não pedem o fechamento da fábrica, mas que sejam tomadas medidas para reduzir o grau de poluição. Tem tantos equipamentos modernos que eles poderiam usar para melhorar o filtro, sugere.
O chefe do IAP, em Londrina, Antonio Carlos Pires, informa que a indústria está trabalhando sem licença de operação. Ele explica que a cada dois anos a licença precisa ser renovada e a empresa interessada passa por três processos inicialmente funciona com uma licença prévia, depois com uma licença de instalação e, em seguida, com uma licença de operação.
A indústria está apenas com a licença prévia, eles não deram andamento ao processo, informa Pires. Ele diz que o pedido de licença prévia foi feito em 94, sendo que o prazo já venceu em 96. Segundo o chefe do IAP, a indústria também foi autuada duas vezes em 93. Ele não soube dar detalhes sobre a autuação porque os processos estão em Curitiba. Mas já enviei um requerimento e em 48 horas devo ter informações sobre o caso.
Pires diz que hoje mesmo uma equipe do IAP deve ir até a indústria para averiguar a sua situação e aplicar outra autuação. Ele explica que irá checar também as reclamações dos moradores.Técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) devem autuar metalúrgica, que está funcionando sem licença de operação
TRANSTORNOMoradores do Parque Manella, em Cambé: fuligem produzida por indústria vem causando problemas de saúdeDona Jacira Manchego mostra o pano branco:problema sem solução





