Campo Mourão - A Cooperativa Mista Agropecuária do Brasil (Coopermibra) demitiu esta semana 80 dos 188 operários da indústria de óleo de caroço de algodão. O vice-presidente da cooperativa, Valdomiro Bognar, informou ontem que as demissões ocorreram por causa de duas multas emitidas pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) que totalizaram R$ 80 mil.
''Tivemos que diminuir um turno de trabalho para aguentar pagar a multa'', disse Bognar. Ele admitiu que ainda podem ocorrer novas demissões. A indústria fica no perímetro urbano e foi reativada no ano passado depois de ficar fechada por cerca de 10 anos já por apresentar problemas ambientais. Ela pertence à Algodoeira Limoeirense (Algolim).
Desta vez, a indústria foi multada em R$ 40 mil por lançar um pó de algodão nas casas ao redor da empresa e em mais R$ 40 mil pelo despejo de óleo nas galerias pluviais, contaminando o rio Quilômetro 119. Bognar disse que a multa surpreendeu a cooperativa. ''Investimos mais de R$ 500 mil no combate à poluição e temos um convênio com o Cefet para o monitoramento da indústria.''
O chefe do escritório do IAP de Campo Mourão, Paulo Benedito Tanahaki, disse ontem que o laboratório do órgão, em Toledo, realizou 10 amostragens no local e constatou que o índice médio de poluição foi de 537 micra por metro cúbico, bem acima dos 80 micra/m3 toleráveis pela legislação. Moradores vizinhos da empresa chegaram a fazer um abaixo-assinado.
Segundo Tanahaki, também foi constatado que a indústria era a responsável pelo óleo que estava sendo despejado no rio 119. Bognar contestou: ''Não sai nada de dentro da indústria.'' A Coopermibra recorreu contra as duas multas. Na primeira delas o recurso foi negado e só resta à empresa um apelo judicial. ''Isso pode inviabilizar a indústria toda'', ressaltou.
A indústria de óleo de caroço de algodão voltou a operar no ano passado com um alvará provisório concedido pela prefeitura. A idéia era dar um prazo para que a empresa mostrasse que os problemas ambientais estavam resolvidos. O IAP emitiu um parecer contrário à licença ambiental para o funcionamento da fábrica, alegando que o local é inadequado para a atividade.

mockup