Pela terceira vez este ano, operários da Indústria Lorenz, em Apucarana, decidiram deflagrar greve. Há seis dias o grupo, de 53 operários, mantêm piquetes em frente aos portões da empresa. Eles não recebem salários há 12 meses – mas a maioria acumula oito meses de atraso – e denunciam que a empresa só paga vales mensais.
Sem ter mais a quem recorrer, os operários, ligados ao Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Apucarana e Vale do Ivaí, resolveram fazer vigília em frente à empresa. ‘‘Temos consciência de que a situação da Lorenz é muito complicada, mas a Justiça deveria agir em defesa dos operários, que estão passando por dificuldades’’, comentou ontem Euclides de Almeida, um dos diretores do sindicato.
Conforme Almeida, todo o patrimônio da Lorenz – cuja matriz fica em Santa Catarina – incluindo os bens das filiais de Apucarana, Umuarama, São Miguel do Iguaçu, Cianorte, Quatro Barras e Quatro Pontes, está penhorado em dívidas trabalhistas e com diversos credores, incluindo instituições financeiras. Apesar disso, explica o sindicalista, ninguém consegue levar nada a leilão. Para cada imóvel ou equipamento existe pelo menos oito penhoras e pedido de execução.
A inadimplência com os funcionários arrasta-se desde julho de 99. Esta semana, a empresa ofereceu R$ 300 para cada operário, assumindo o compromisso de acertar a rescisão contratual de todos. A proposta não foi aceita. A Lorenz, que atuava na moagem e produção de derivados de milho e soja, paralisou seu setor industrial há 60 dias. Atualmente as instalações estão locadas para usinas de açúcar de Porecatu e Jandaia do Sul.

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