Indústria de papel é autuada por poluir rio
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terça-feira, 29 de maio de 2001
Sid Sauer De Campo Mourão 
O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) notificou ontem de manhã a Fábrica de Papel Cristo Rei, em Campo Mourão, por poluir o Rio Ranchinho. O gerente da empresa, José Luiz Barman, deverá comparecer hoje de manhã ao escritório regional do IAP em Campo Mourão, quando será definido o valor da multa. A indústria também poderá ser interditada.
A notificação do IAP foi feita depois que uma coleta realizada no início do mês constatou que o efluente industrial lançado no Rio Ranchinho estava fora dos padrões recomendados pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). A denúncia de que esgoto industrial estava indo parar no rio havia sido feita pelo vereador Sebastião Ribeiro (PT).
A fábrica fica a 10 quilômetros de Campo Mourão. Moradores vizinhos da indústria dizem que sofrem com o mau cheiro e que suspeitam que a morte de alguns animais teria sido provocada pela água contaminada. Eles também dizem que já houve morte de peixes no rio. Os vizinhos não querem se identificar porque a maioria tem parentes que trabalham na fábrica.
A indústria tem atualmente 65 empregados e produz 700 toneladas mensais de papel reciclado para embalagens. O gerente da empresa admite que o problema existe, mas diz que a fábrica está trabalhando para resolver a situação. Já construímos um filtro primário e vamos construir outro filtro de areia para evitar a contaminação da água, explicou.
Segundo Barman, a volume de esgoto produzido pela indústria é baixo (12 metros cúbicos por hora) e pode ser facilmente diluído pelo rio. Ele afirmou também que a indústria vai investir em torno de US$ 50 mil para implantar, dentro de 120 dias, um projeto já aprovado pelo IAP para regularizar a situação da indústria. O projeto estava em elaboração desde 1994.
A fábrica de papel Cristo Rei é antiga, fica a cerca de 10 metros do Rio Ranchinho e já chegou a ser interditada pelo IAP há sete anos. Ela foi reaberta 15 dias depois com o compromisso de regularizar o funcionamento, o que acabou atrasando porque o projeto apresentado pela empresa teve que ser readequado várias vezes a pedido do Instituto Ambiental.
Barman disse que não tem conhecimento de que animais ou peixes tenham morrido por causa do esgoto lançado na água. O chefe local do IAP, Paulo Benedito Tanahaki, disse ontem que vai encaminhar cópia da notificação para o Ministério Público e que é possível que um termo de ajustamento, dando prazo para as adequações, substitua uma eventual interdição.
A empresa também tem problemas trabalhistas. A promotora Rosana Araújo de Sá Ribeiro Pereira disse ontem que vai propor um acordo para que a fábrica construa refeitório e vestiário para os funcionários, além de outras medidas de segurança. Há ainda problemas de atraso de pagamento dos empregados. Barman disse que a folha está mais ou menos em dia.


