Indústria aperfeiçoa malha usada em tratamento cardíaco
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quarta-feira, 15 de maio de 2002
Ana Paula Nascimento Reportagem Local 
Arapongas - Portadores de doenças coronárias têm uma nova opção de tratamento com comprovação de 100% de eficácia. Batizado com o nome Cypher, sob patente da Johnson & Johnson, o tratamento consiste na colocação de uma malha metálica de dimensões milimétricas (chamada de stent) para corrigir obstruções coronárias, causadas principalmente por placas de colesterol. Esse tipo de material já era usado desde 94, mas a novidade é que, na nova versão, a malha vem impregnada de um medicamento que impede a cicatrização exagerada na parte interna da artéria - o que pelo sistema tradicional era responsável por 10% dos casos de reincidência da obstrução. A cirurgia é feita com anestesia local, na altura da virilha, por onde é introduzido um cateter milimétrico para a implantação da malha metálica.
Ontem de manhã, um aposentado de 72 anos recebeu no Hospital João de Freitas, em Arapongas, o primeiro Cypher do interior do Paraná, também viabilizado comercialmente pela empresa patenteadora para mais três centros de tratamento cardiológico no Brasil (nos estados de São Paulo, Santa Catarina e na cidade de Curitiba).
O tratamento exige bastante precisão do profissional, mas, em contra-partida, o paciente sofre bem menos, a cirurgia dura no máximo uma hora, e em dois dias o paciente já pode ir para casa, destaca o cardiologista Milton Neves.
O único problema apontado até agora no uso da nova tecnologia é o seu alto custo, avaliado em R$ 9,2 mil (sem incluir despesas de internação e anestesia), sendo que a novidade ainda não faz parte dos tratamentos cobertos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Mas acredito que vai ser rápida a sua inclusão. As doenças do coração são as que mais matam no mundo e a importância dessa tecnologia é tão grande quanto o desenvolvimento da vacina contra a poliomielite, opina o cardiologista Douglas Grion, que junto com os cardiologistas Ricardo Ueda e Marco César Miguita integra a equipe que está realizando esse tipo de cirurgia. Em Londrina, o tratamento deve ser disponibilizado em breve, mas depende da adequação de equipamentos específicos para a cirurgia.
Na próxima terça-feira, em Paris, acontece o lançamento mundial do produto, durante um congresso internacional sobre esse tipo de cirurgia, em que participa o cardiologista Milton Neves.


