Indulto de Natal libera 618 em Curitiba
James Alberti
De Curitiba
Os alojamentos da Colônia Penal Agrícola começam a esvaziar a partir de hoje. Apenas 8% dos 754 presos devem ficar na penitenciária durante o Natal e final de ano. Do total, 618 obtiveram licença para passar as festas com a família. A previsão é de que 30% deles não retornem na data marcada, o que os tornará fugitivos. Na Penitenciária Central do Estado (PCE) haverá um dia a mais de visita e programação especial para as famílias dos detentos. Oitenta presos do Estado aguardam indulto do presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, e mais de 600 podem obter redução de penas.
A direção da PCE pretende intensificar as atividades esportivas para diminuir a tensão e a angústia dos presos que não têm o direito à portaria que dá o benefício de passar as festas em casa. Segundo Cínthia Bernardelli Dias, diretora da penitenciária, a ansiedade dos detentos costuma aumentar nesta época, embora não tenha sido registrado aumento no índice de tentativas de fugas. Eles são bombardeados pela mídia assim como a gente que está lá fora, analisa. Brinquedos e lanches devem ser distribuídos para os filhos do presos que visitarem os pais no sábado de Natal e no domingo.
Apesar das grades, os detentos tentam manter o espírito natalino aceso. Condenado a 20 anos de prisão por latrocínio em 1995 e vestido de Papai Noel, o ex-despachante Neil Batista de Oliveira, 34 anos, afirma que a única diferença entre o Natal do presos e o dos livres é o muro da penitenciária. A gente os aconselha. Tenta passar que a vida continua, que eles têm que recomeçar, revela Oliveira, que vai passar o quinto Natal na prisão.
Um recomeço que está bem próximo para o agrimensor e ex-assaltante de bancos José Orlando de Aguiar Fortes, 50 anos. Desde que foi recapturado, em outubro 1997, após estar foragido por quatro anos, Fortes irá passar o primeiro Natal com a família, em Sertanópolis, Norte do Estado. Condenado a 21 anos de prisão, esta pode ser a última vez que Fortes sai da Colônia Penal como prisioneiro. Faltam apenas três anos e 10 meses. Vou liquidar a pena no próximo ano, diz, na esperança de obter o benefício da redução de pena. Um dos mais antigos presos do Estado, Fortes estava ansioso e emocionado durante a semana. Para controlar a hipertensão, teve que recorrer a medicamentos. É fabuloso, afirma sobre o fato de passar a virada do ano em casa.Apenas 8% dos 754 presos da Colônia Penal Agrícola vão passar as festas de Natal e Ano Novo na penitenciária
Albari RosaDOIS CASOSO vendedor ambulante Edilson Santos da Silva, 21 anos, (ao lado) vai passar o pior Natal de sua vida, o primeiro dentro da prisão. O agricultor Xavier do Rosário Benevenutti, 39 anos, (acima) sorri ao saber que será liberadoAlbari RosaVestido de Papai Noel, o ex-despachante Neil Batista de Oliveira, 34 anos, fará o Natal dentro da celaAlbari RosaJosé Orlando de Aguiar Fortes, 50 anos, já ensaia a saída da prisão. Vou liquidar a pena no próximo ano





