Curitiba - Hora do rush na avenida mais movimentada da Capital. Trânsito lento e por momentos até parado. No entanto, um fato: a maioria dos motoristas trafega sozinho em seu carro. Raro é ver um carro cheio. A reportagem fez um levantamento, das 18h30 às 18h45, na esquina da Avenida Visconde de Guarapuava e Rua Carneiro Lobo, no bairro Batel, e constatou que dos 682 veículos que passaram nesse período, 434 (63%) eram dirigidos apenas por uma pessoa.
Em uma época em que as políticas estão voltadas a preservar os recursos naturais - como matéria-prima para energia - e minimizar os processos poluentes, nas ruas e avenidas, aparentemente, o individualismo ainda é a tônica. E as autoridades não parecem estar interessadas em incentivar uma maior ocupação dos veículos. Ainda que exemplos positivos pelo mundo não faltem.
Segundo a diretora da Diretran de Curitiba, Rosângela Battistella, não existe um levantamento oficial quanto à taxa de ocupação dos veículos na Capital. Mas, pelos relatos dos agentes de trânsito, é possível concluir que a maioria é, sim, ocupada apenas pelo motorista. ''É uma questão cultural. Da nossa parte, fazemos campanhas educativas e apelos na mídia para incentivar a carona solidária. No futuro, provavelmente teremos que pensar medidas mais efetivas para obrigar o motorista a aumentar a ocupação do seu veículo''.
Ela cita como exemplo a redução do IPVA ou do licenciamento para os carros que trafegarem com mais passageiros. Contudo, essa mudança dependeria de apoio dos governos estadual e federal.
Na Capital, a frota de veículos ultrapassou 1 milhão de unidades, segundo dados de dezembro de 2008. Com uma população de pouco mais de 1,8 milhão de habitantes, significa que há 1,7 habitante por veículo, incluindo crianças. Se por um lado a indústria automotiva gera empregos e movimenta a economia, do outro, a facilidade de se adquirir um automóvel significa cada vez mais carros nas ruas, que não aumentam na mesma proporção.
Dona do espaço
Mais gente comprando carro e querendo um espaço nas ruas parece ser a tendência nas grandes, médias e pequenas cidades. O Núcleo de Psicologia do Trânsito da Universidade Federal do Paraná (UFPR) estuda o individualismo ao volante. ''A pessoa tende a achar que é dona daquele espaço. Precisa haver uma mudança nessa cultura e as pessoas perceberem que o espaço é coletivo'', afirma a coordenadora do núcleo, Iara Thielen.
Para ela, as políticas públicas são mal direcionadas, já que o transporte coletivo não é atrativo para quem está sozinho em um veículo. ''Quando entrevistamos motoristas para saber por que eles estão sozinhos, a justificativa é que eles podem escolher seu horário, não precisam ficar em um lugar superlotado, onde correm riscos de contrair uma doença, ser assaltados ou até assediados'', conta. No entanto, Iara é categórica: ''O transporte individualizado está fadado ao fracasso''.
Na opinião de Luis Cláudio Patrício, do Grupo Transporte Humano - criado em 2008 para pensar e desenvolver iniciativas para mobilidade urbana -, incentivar a carona envolve também questões como garantir a segurança do motorista disposto a colaborar. Ele defende que as empresas se comprometam em estimular a prática entre seus funcionários, organizando cadastro interno para esse propósito, por exemplo.
''Podem ser adotadas outras medidas de incentivo, como as faixas exclusivas ou pontos para carona. Mas é importante que as pessoas tenham uma identificação, que poderia ser feita pela administração pública, para que o processo seja bem confiável'', argumenta. Outro benefício possível aos carros com maior ocupação seria de isenção de pagamento nos chamados pedágios urbanos - providência também defendida por Patrício e seu grupo. (Colaborou Diego Ribeiro).

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