Indisciplina é reflexo
Na Escola Estadual Olavo Bilac, de Cambé (Norte), direção e equipe pedagógica unem esforços para sensibilizar os professores para a questão da violência doméstica. ''A indisciplina é uma maneira do aluno expressar que algo errado acontece. Se a criança está agressiva, é sinal que algo na família não vai bem'', opinou a pedagoga Selma Ferreira Vaz.
A coordenadora do curso de formação de docentes da escola, Cristina Polimeni Góes, lembrou que as crianças reproduzem o comportamento dos pais. ''Se apanham em casa, querem bater. Se os pais gritam, elas gritam também'', exemplificou. O caminho para identificar estudantes vitimizados é a criação de relações permeadas por maior afetividade entre professores e estudantes.
Para as profissionais, a forma de violência doméstica mais comum é a negligência, observada na falta de compromisso dos pais com os filhos e na ocorrência de vícios, como o alcoolismo. Crianças pequenas cuidando de irmãos ainda menores, sem acesso a cuidados básicos como higiene pessoal, são uma das consequências comuns dessa falta de cuidados.
''A escola tem a função de construir conhecimento, mas recebe alunos sem condições de participar desse processo'', opinou a professora de educação física da Olavo Bilac, Luciana Costa Nunes Francisco. Para ela, um dos caminhos para melhorar a situação é trabalhar valores que antigamente eram passados pela própria família.
Também de Cambé, a professora da rede muncipal Salete Regina Lugle acumula vasta experiência na identificação de crianças com dificuldades de aprendizagem relacionadas à violência doméstica. ''Para superar o déficit é necessário um trabalho individualizado'', afirmou ela, que em 28 anos de profissão ouviu vários relatos chocantes de alunos agredidos pela própria família. (C.A.)





