Os índios saíram ontem da reunião com o chefe da Casa Civil, Pretextato Taborda Ribas, no Palácio Iguaçu, em Curitiba, com a garantia de que 50 deles serão treinados para atuar como agentes de saúde e de que os municípios receberão incentivos para incluí-los no programa Paraná 12 Meses.
Segundo o presidente do Conselho Indígena, da regional Guarapuava, Pedro Cornélio Seg Seg, os índios estão indo embora, mas não totalmente satisfeitos. ‘‘Queremos ver resultados’’, afirmou. ‘‘A única coisa concreta até agora são os oito carros que receberemos. Mesmo assim, precisaríamos de mais nove, já que existem 17 áreas indígenas.’’
As outras reivindicações estão, por enquanto, na promessa. Segundo o assessor especial para assuntos indígenas do governo do Estado, Edívio Battistelli, a possibilidade de repasse de 50% do ICMS ecológico para as comunidades indígenas deve passar por um estudo jurídico antes de qualquer acerto.
Para a construção de casas, o governo deve autorizar o uso de madeiras desvitalizadas, derrubadas por ventanias no Estado. A quantidade de casas será definida de acordo com os recursos disponíveis. Segundo Seg Seg, os índios precisam de 1.600 casas.
A implantação de escolas de ensino médio nas reservas de Mangueirinha e Rio das Cobras também deve ser estudada pelo governo. ‘‘Vamos verificar se existe demanda para a construção de escolas’’, disse Battistelli. Hoje, as áreas indígenas só têm escolas de 1º grau. São 26, em 17 áreas. A que mais tem escolas é a reserva de Rio das Cobras: cinco.
Sobre as barragens do rio Tibagi, Battistelli afirmou que ainda estão sendo feitos estudos de impacto ambiental e que a aprovação para o uso da região deve vir do Congresso Nacional. Caso seja dada a autorização, as áreas de Barão de Antonina (São Jerônimo da Serra), Apucaraninha (Tamarana) e Mococa (Ortigueira) serão alagadas em alguns trechos. A partir daí, os índios serão chamados para negociar. Eles querem reposição das terras e indenização.

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