Índios vão ganhar Centro Cultural
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quarta-feira, 21 de janeiro de 1998
Adriana De Cunto 
Mário CésarAvançoCanziani e lideranças indígenas: melhoria da qualidade de vidaOs índios caingangues da reserva do Apucaraninha vão ganhar um espaço para se abrigar no período que permanecerem em Londrina para comercializarem seus artesanatos. É o Centro Cultural Kaingáng, que será construído próximo à Prefeitura, entre as avenidas Duque de Caxias e Dez de Dezembro, no local onde hoje eles improvisaram um acampamento. O lançamento aconteceu ontem pela manhã, no gabinete do prefeito em exercício Alex Canziani.
Planejado pelo arquiteto do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), Alaertes Karoleski, o centro terá 236 metros quadrados de área construída. Estão previstas quatro casas com capacidade para alojar, ao todo, 40 pessoas e mais uma área de venda. A construção será em madeira com cobertura de sapé e piso de tijolo cerâmico, que formarão desenhos nas cores vermelho e azul, iguais aos dos balaios fabricados pelos caingangues.
O projeto foi desenvolvivo em parceria com técnicos da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA), das secretarias da Agricultura e Educação e com funcionários da Fundação Nacional do Índio (Funai). Além das casas e do ponto de vendas, ele terá biblioteca com material bibliográfico e fotos de índios.
Segundo a secretária de Ação Social do município, Marisa Goettel do Nascimento, o objetivo do Centro é dar condições de moradia aos caingangues e oferecer aos professores, alunos e comunidade um referecial teórico para que que possam pesquisar, conhecer e entender um pouco mais da cultura indígena.
Ela disse que a construção do Centro dá uma solução ao problema de estada dos índios em Londrina. Ela comentou que para os índios é importante a comercialização de artesanto, pois a agricultura não é suficiente para suprir todas as necessidades. Hoje, a pior terra de Londrina é a da reserva. Eles precisariam de uma tecnologia avançada para ter uma boa produção.
Alex Canziani destacou a preocupação da atual administração municipal em promover a melhoria da qualidade de vida da população. A representante da Câmara dos Vereadores, Elza Correia, lembrou a história, repleta de episódios violentos contra os índios: O mundo foi cruel, perverso e excludente com os índios, assim como é com as mulheres, com os portadores do vírus HIV (que transmite a Aids), com os negros.
O cacique Jocelino Virgílio, chefe da Reserva do Apucaranhinha, disse que conhece e apoia o projeto. Vai ser um lugar bom para nós. Hoje estamos debaixo de lona, com problemas de doença. Ele tem esperança que o Centro atraia pessoas de fora para conhecerem e comprarem os objetos artesanais.
Jocelino Virgílio garantiu que o local não vai incentivar a troca da reserva pela cidade. Isso porque, segundo o cacique, é concedida permissão de apenas 15 dias para cada índio ficar em Londrina e quem não obedece sofre punições.
Maurício Saraiva, assessor indígena do governo estadual, elogiou a criação do Centro Cultural Kaingáng e destacou a parceria entre Governo Federal, Estado, Funai e município. Segundo ele, a Funai está falida e é preciso que outros órgãos se juntem para implantar os programas.
O presidente do Conselho Indígena do Norte do Paraná, Lourival de Oliveira, disse que Londrina começou a acordar para os assuntos indígenas. Ele criticou o preconceito dos brancos em relação aos índios lembrando que seus antepassados já ocupavam o Brasil há 500 anos. O índio está cansado de ser massacrado, queimado, matado. O índio é cidadão, tem que estar envolvido com a política. Só na época das campanhas os políticos lembram dos índios.
José Gonçalves dos Santos, administrador substituto da Funai em Londrina, lembrou que o sucesso do Centro vai depender do comprometimento do município, da Funai e dos próprios índios. O secretário de Obras, José Righi, ainda não recebeu o orçamento final do empreendimento. A previsão é que a construção termine em seis meses. Estavam presentes à cerimônia o delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, Wanderci Corral Fernandes, o prefeito de Tamarana, Edson Siena, o presidente do Conselho de Administração da Folha de Londrina, João Milanez, secretários municipais e outras autoridades.


