Guarapuava A Associação Indígena de Estudantes Universitários do Paraná (Aiup) foi criada no último domingo, durante um encontro que reuniu estudantes, caciques de 14 reservas indígenas, juristas e professores universitários em Guarapuava. Eles discutiram os objetivos da entidade, problemas encontrados pelos alunos e ainda apresentaram sugestões.
''Estamos dando uma volta enorme para encontrar soluções aos problemas e fazer com que benefícios cheguem aos estudantes. A associação vai agilizar todo este processo'', disse Neoli Kaly Rygue Olíbio, 20 anos, tesoureiro da entidade e aluno da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) de Guarapuava. Ele é o mais jovem cacique do Paraná, coordena a Comunidade Rio das Cobras, em Palmas.
Auxiliado pelo promotor da Vara de Infância e Juventude de Maringá, Robertson Fonseca de Azevedo, e pelo professor de serviço social da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Wagner Roberto Amaral, o grupo elaborou um estatuto e definiu a diretoria. ''Decidimos colocar um aluno de cada universidade estadual (seis, ao todo) na direção. Assim, quando um problema for detectado, qualquer estudante índio poderá encaminhá-lo ao representante da sua cidade'', disse o presidente eleito da Aiup, Alvaci Jesus Sales Ribeiro, caingangue de 37 anos e estudante de administração da Unicentro.
Entre os objetivos da associação estão o acompanhamento dos alunos nas instituições e a criação de projetos que auxiliem a formação acadêmica (como grupos de estudo e aulas de reforço). O grupo também pretende fechar convênios com fundações, ONGs e centros de pesquisa que possam receber estagiários indígenas.
O antropólogo e professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), João Valentin Wawzyniak, elogiou a iniciativa. ''Estamos torcendo para que a associação saia rapidamente do papel e coloque as idéias em prática'', comentou Wawzyniak.
A Aiup é composta pelos 28 estudantes das universidades estaduais, mas deve ampliar o número de associados junto às instituições particulares. Somente na Faculdade Integrada de Palmas (Facipal) existem 33 índios paranaenses, catarinenses e gaúchos que recebem bolsas integrais. Representantes da entidade já foram convidados a participar de um encontro sobre educação indígena no Rio Grande do Sul, previsto para o início de abril. A intenção é auxiliar na formação de novas associações em todo o País.

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