Cascavel Os três indígenas que ingressaram este ano na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), através de um vestibular especial, estão apresentando dificuldades em acompanhar o rendimento dos demais colegas de turma. A maior dificuldade dos indígenas é com relação a adaptação à língua portuguesa, já que eles se comunicavam através do idioma guarani, mesmo durante as aulas ministradas em português na escola da aldeia.
Na tentativa de viabilizar uma solução para o problema, o pró-reitor de Graduação, Leônidas Lopes de Camargo, esteve reunido ontem com os alunos, professores, representantes da Reserva Rio das Cobras de Nova Laranjeiras (118 Km a leste de Cascavel), da Coordenação Indígena da Secretaria Estadual da Educação e da Funai.
De acordo com o pró-reitor, além da questão da dificuldade de adaptação à língua portuguesa, os indígenas apresentam dificuldades de integração com os colegas. Dois dos indígenas cursam Pedagogia e uma outra está estudando Enfermagem. No caso desta aluna, chamada Maria, um outro problema é a sua timidez que dificulta ainda mais seu aprendizado. ''Estamos buscando soluções para que estes alunos possam se integrar à universidade e absorver os conteúdos'', disse Camargo.
Na oportunidade, os alunos indígenas puderam explicar os motivos de suas dificuldades de adaptação ao sistema de ensino. Eles reclamaram que dificilmente conseguem entender os conteúdos disciplinares, principalmente pela rapidez com que as informações são repassadas. Entre as propostas apresentadas, está a criação de monitorias, grupos de estudos e pesquisas.
O vice-cacique da Reserva Rio das Cobras, Sebastião Lourenço, disse que existe uma natural dificuldade dos Avá-guaranis e dos Caigangues em aprender o idioma português, que é muito diferente da língua deles.

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