Índios também fazem críticas
Uma reunião na tarde de quarta-feira na sede da Funai em Londrina reuniu cerca de 10 líderes indígenas e professores que desenvolvem trabalhos nas comunidades indígenas. Foi citado (no manifesto) que a gente foi induzida, que a gente não tem pensamento. Mas, com a cartilha, o objetivo da gente é crescer com o debate da questão das hidrelétricas, é mostrar de forma simples as vantagens e as desvantagens de uma hidrelétrica na área indígena, disse a professora bílingue Selia Ferreira Juvêncio, do posto indígena de São Jerônimo da Serra.
A queixa da professora é contra o trecho do manifesto em que os três pesquisadores da UEL e da UEM afirmam que a publicação Venh Róg (Rio Tibagi, com a colocação do til sobre a letra e) foi escrita sob a manipulação da antropóloga Cecília Maria Vieira Helm, quando os textos e os desenhos foram feitos pelos escolares. Nosso trabalho está sendo usado de forma desrespeitosa. A cartilha tem o objetivo de esclarecer as crianças sobre o que pode acontecer com o rio deles, com a construção da hidrelétrica, acrescentou, com o endosso da professora Magali Surjus Pereira, da UEL, membro do Grupo MIG; Rosângela Maria Santana, do Posto Indígena Apucaraninha; Vadico Petej Marcolino, vice-cacique da reserva Apucaraninha; Pedro Kagrekág de Almeida, professor bílingue também de Apucaraninha; Selia Ferreira Juvêncio, professora bílingue da reserva São Jerônimo; Manoel Norég Máq Felisbino, professor bílingue de Apucaraninha; Marlene do Carmo Veloso, professor da reserva São Jerônimo; Nilza Fernandes Batista da Silva, também professora da São Jerônimo; Ludoviko dos Santos, coordenador do Grupo MIG e professor da UEL, e Ivani Aparecida Garcia Teles, do Grupo MIG e programadora educacional da Funai em Londrina.
A cartilha, segundo o grupo, é parte de um estudo que vem sendo feito desde 1987 junto às comunidades indígenas. A cartilha foi feita para explicar para os alunos a importância do rio, dos peixes e das matas em suas margens, reforçou o professor bílingue Pedro Kagrekág de Almeida. Segundo ele, durante a semana a comunidade do Posto Apucaraninha organizou a Festa do Pari (Festa do Rio). Nós mostramos que se sair a usina (hidrelétrica), vai se perder a festa, acrescentou. Nos deparamos com a necessidade de energia elétrica, que é importante. O índio também quer beber água gelada. Mas isso não quer dizer que estamos defendendo as hidrelétricas, esclareceram os professores que integram o Grupo MIG. Eles lembraram que quando a cartilha foi lançada, em dezembro do ano passado, o compromisso do grupo foi de organizar um novo trabalho, para debater os impactos das hidrelétricas.
O grupo também manifestou revolta com um exemplo citado no manifesto, na tentativa de mostrar que a cartilha foi escrita sob manipulação. Na página 19, a publicação trata do progresso tecnológico, incluindo o uso de computadores, de novas invenções elétricas e, enfim, da importância das hidrelétricas. Mas, nas três páginas seguintes, os textos são sobre a necessidade de trancar o rio com uma barragem, para formar um grande lago que cobrirá toda a paisagem e junto com ela a história de vida de toda essa gente.





