Índios sofrem com a falta de médicos
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quinta-feira, 04 de fevereiro de 1999
Dimitri do Valle 
O atendimento na Casa de Saúde Indígena, em Curitiba, está comprometido. Faltam médicos, enfermeiras e encarregados da limpeza. Sob responsabilidade da Fundação Nacional do Índio (Funai), a instituição recebe índios de tribos do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul que buscam tratamento na capital. Isso aqui faliu, reclama o índio xocleng Ludovico Monconã.
Os índios utilizam a Casa para se recuperar de cirurgias. Um primo de Ludovico ficou um mês na instituição. O paciente aguardava para ser submetido a uma cirurgia na perna. A operação aconteceu na semana passada. No tempo em que permaneceu na Casa, um sobrinho de Ludovico fez o papel de enfermeiro para não deixar o parente sozinho.
O administrador-executivo regional da Funai, João Gilberto da Silva Nogueira, reconhece os problemas. Nogueira justifica que a Funai está impossibilitada de contratar funcionários desde 1986 por ordem do governo federal. Apenas um médico trabalha na Casa, que precisaria de dois profissionais. Não há enfermeiras. No quadro seriam necessários seis auxiliares de enfermagem, mas atualmente só trabalham três.
A qualidade da comida, considerada pesada para quem está no período pós-operatório, também é questionada por Ludovico. O cardápio é formado apenas por arroz, feijão, carne e sopa. Apesar das dificuldades, Nogueira entende que os índios não estão desamparados. Mesmo de forma precária, temos um quadro mínimo para atender, acredita.
A situação da Casa veio à tona por acaso. A equipe da Folha foi chamada ontem à tarde pelo índio Ludovico que queria expressar sua preocupação com a morte do presidente da Funai, Sulivan Silvestre, morto num acidente aéreo em Goiânia. A chefe da instituição, Lourdes Kowalsky, não permitiu que a conversa fosse realizada na sala de espera da instituição, que serviria apenas como ponto de encontro entre a reportagem e o índio. Indignado com a humilhação, Ludovico desabafou, revelando as dificuldades enfrentadas.
O administrador regional João Gilberto da Silva Nogueira, pediu desculpas pelo incidente. Nogueira disse que recebeu informações de Lurdes Kowalsky de que Ludovico queria expor os pacientes da Casa para falar sobre a morte de Sulivan Silvestre, mas esta não seria a intenção do índio Ludovico.


