Londrina - Os índios caigangues da Aldeia Água Branca se recusaram a deixar mais uma vez o fundo de vale que ocupam à margem da Avenida Dez de Dezembro, na zona sul de Londrina. O prazo concedido pelo município, de 15 dias, para que os indígenas saíssem do local, venceu ontem. Além da notificação municipal, os líderes da aldeia já haviam sido notificados pelo Ministério Público.
Além de ser um fundo de vale, a Promotoria de Defesa do Meio Ambiente alega que o espaço é perigoso em virtude da possibilidade de enchentes devido ao assoreamento do Lago Igapó. A comunidade justifica que não tem outro lugar para acomodar os moradores. Atualmente, 80 índios dividem 32 barracos construídos sob péssimas condições sanitárias, sem energia elétrica e ligações precárias de água.
"Essa notificação não tem força de lei e os índios só aceitam deixar o local se for oferecido um outro espaço melhor para eles ficarem", relatou o advogado dos indígenas Roberto Murita, que adiantou que irá procurar a Defensoria Pública da União e do Estado para expor a situação da comunidade.
A alternativa oferecida pelo município é um barracão no Jardim Cafezal (zona sul), que foi adaptado para abrigar uma casa de passagem. Os indígenas alegam que o espaço temporário é muito longe e dificulta a venda de artesanatos e acesso a postos de saúde, hospitais e ao comércio em geral.
A secretária de Assistência Social, Telcia Oliveira, informou que enquanto o município não define quais os próximos passos no campo jurídico, continua dialogando com os índios. "Não temos outra área para oferecer, mas estamos ouvindo as lideranças para melhorar a estrutura do espaço existente. E ao mesmo tempo seguimos com os projetos e a busca de recursos externos para a construção da casa de passagem definitiva", relatou.

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