Índios são ouvidos pela Polícia Civil
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terça-feira, 15 de julho de 1997
Alexandre Sanches Londrina 
Os índios da reserva Barão de Antonina, em São Jerônimo da Serra (95 km ao sul de Londrina), prestaram depoimentos ontem à Polícia Civil sobre a invasão de 12 famílias de posseiros no sábado e o tiroteio e violência cometida contra eles no domingo. Além do processo, que está sendo elaborado na Justiça Federal em Londrina, está sendo montado outro na Justiça Comum.
Ontem, durante todo o dia, funcionários da Funai tentavam acalmar os ânimos na reserva. O administrador da Funai em Londrina, Joventino Domingos Aco, informou que está havendo ameaças dos posseiros contra o chefe do posto da reserva, Luiz Alan Vãn-Fy Juvêncio. Muitas famílias estão amedrontradas e pedem para ser transferidas para outras reservas. Mas os posseiros estão à procura do ex-chefe da reserva, João Maria Rodrigues (Tapexi), informou.
A Polícia Federal foi chamada para tentar conter a violência, mas, segundo Aco, só vai tomar alguma providência após o processo de reintegração de posse na Justiça Federal ser julgado. A PM esteve na área somente para fazer levantamento e identificar os invasores.
Não podemos culpar os índios por quererem sair da reserva. Afinal, houve 40 minutos de tiroteio contra a casa do Tapexi, índios foram usados como reféns, mulheres e crianças viraram escudos dos posseiros, desabafou Aco. Ele espera que a Justiça julgue o processo de reintegração de posse até sexta-feira.
Esta é a quinta invasão em pouco mais de um ano. Somente em 96, o grupo invadiu a área quatro vezes. Em todas as invasões foi necessário que a Funai, Polícia Federal, Justiça Federal e governo do Estado interviessem. Os posseiros alegam ter direito à terra e documentos, mas desconhecem o decreto assinado pelo presidente Fernando Collor de Mello, em 1991, que demarcava as áreas indígenas. Coincidentemente, na quinta-feira foi julgado o último processo sobre as invasões ocorridas em 1996. Todas foram favoráveis à União, que é a detentora das terras indígenas.
A pedido da Justiça Federal foram presos em dezembro, como líderes dos invasores, Expedito Belo dos Santos, Antônio Luís Gomes, Waldemar Rodrigues de Souza e o vice-prefeito de São Jerônimo da Serra, Manoel Rocha Rodrigues. Eles foram soltos depois que os posseiros garantiram que sairiam da área.
Foram identificados pela Funai como líderes desta invasão Edmilson da Cruz (o Saruê), Expedito Belo dos Santos, Adão Filho, Waldemar Rodrigues de Souza, Celso Vargas, e pessoas citadas somente pelo primeiro nome ou apelido.
Todos estão armados. Se não for tomada providência urgente, teremos sérios problemas na área, alerta Aco.


