A conselheira Marilda Regina da Silva, do Conselho Tutelar de Londrina, disse que, se o caso da indiazinha tivesse acontecido com uma criança não-índia, a obrigação do médico era ter denunciado ao órgão a recusa dos pais em interná-la. ‘‘A gente teria ido lá e obrigado os pais a internar a criança, até com o uso de força policial se fosse o caso’’, explicou.
Segundo ela, é comum hospitais e até o Pronto Atendimento Infantil (PAI) solicitarem ajuda para casos do tipo. ‘‘Toda criança tem direito à vida e à saúde. Se o pai e a mãe tentam impedir isso, é crime e deve ser tratado como tal. Eu mesma já tive casos em que tive que chamar polícia para manter a criança internada no hospital’’, explicou.
Para Marilda, de modo geral os índios são bons pais. ‘‘É muito difícil ver crianças índias vagando pelas ruas sozinhas, os pais estão sempre por perto. Também não há registro de maus-tratos intencionais cometidos pelos índios contra os filhos’’, disse. Mas reconheceu que, em casos como o da pequena Liliane, a falta de informação prejudica o trabalho. ‘‘A gente não sabe até que ponto ir, já que os índios são também tutelados do Estado. Mas vamos corrigir isso. Já pedi uma cópia do Estatuto do Índio e vou me informar. De qualquer maneira, ele não é superior à Constituição Federal e vamos ter que ficar mais atentos’’, afirmou.

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