Dois funcionários da Copel estão retidos na usina de Apucaraninha, em Tamarana (62 km ao sul de Londrina), pelos índios cainguangues desde a meia-noite de ontem. É uma represália da comunidade indígena ao impasse criado em torno do arrendamento da área utilizada pela usina. Os índios querem reiniciar as negociações na reserva, mas a Copel não quer retomar o assunto.
Essa é a segunda vez que os funcionários da usina são impedidos de deixar o trabalho. Em 7 de agosto, nove pessoas ficaram retidas na reserva, entre elas o administrador regional da Fundação Nacional do Índio (Funai), José Gonçalves dos Santos. Agora, ele atua como mediador entre as partes. ''Já comuniquei o fato ao presidente da Funai, que deverá intervir junto à Copel'', adiantou.
Enquanto isso, os operadores José Carlos Feitosa e Salomão Sutil de Oliveira se revezam no controle das máquinas. Ao contrário dos índios, os funcionários estão calmos. Eles cumprem turnos de oito horas e nos intervalos descansam numa casa vizinha à central.
O operador trabalha há 12 anos na usina Apucaraninha e mora com a família em Londrina. Até as 16 horas de ontem, ele ainda não havia conversado com a mulher e as filhas sobre sua detenção.
Dois policiais militares de Tamarana também ficaram retidos por duas horas ontem à tarde. Os índios ficaram revoltados com a presença deles numa área de segurança federal e por isso tomaram suas armas e a chave do jipe que dirigiam. A liberação ocorreu por volta das 17h30.
A comunidade reivindica da Copel o pagamento de R$ 20 mil pela ocupação da área e uma indenização de R$ 71 milhões pelos 52 anos de ''prejuízos acumulados''. A última proposta da estatal foi pagar R$ 77.020,00 ao ano (o equivalente a R$ 6,4 mil/mês), mais os R$ 30 mil de energia elétrica consumidos pelos 1,5 mil índios este ano. Em reuniões anteriores ficou definido que o valor da indenização seria estipulado por um estudo antropológico. Os cainguangues querem participar do grupo, mas a Copel é contra a idéia. ''Desse jeito não dá para negociar'', afirmou o cacique Moisés Lourenço.
O advogado César Bessa deve protocolar hoje uma notificação judicial aos três interessados na compra da Copel, que está com leilão marcado para a próxima quarta-feira. Para ele, os possíveis compradores ainda não sabem do conflito entre os índios e a estatal. Por enquanto, a usina continua funcionando normalmente e nenhum dano material foi registrado.
A assessoria de imprensa da Copel informou que a retenção dos funcionários foi uma surpresa. Segundo a assessoria, já havia sido decidido que a negociação seria feita com o comprador da empresa.

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