Índios reduziram os desmatamentos
Paraná tem hoje a maior floresta nativa de araucária do mundo; índios ajudam a preservar e melhoram condição de vida
Da Redação
Joel RochaPreservaçãoA média anual de desmatamento do pinheiro do Paraná caiu de 1.100 hectares para 100 hectaresNa luta para evitar a extinção da araucária angustifolia - conhecida mundialmente como pinheiro do Paraná -, o Governo do Estado vem conseguindo reduzir de maneira significativa a área de desmatamento nas aldeias indígenas. A média anual desmatada, que era de 1.100 hectares, caiu para apenas 100 hectares a partir de 1996. Isso se deve ao esforço conjunto da Secretaria de Meio Ambiente, Polícia Florestal, Fundação Nacional do Índio (Funai) e prefeituras, que vêm desenvolvendo ações nas principais reservas indígenas. ‘‘Estamos preservando a natureza e também melhorando a qualidade de vida nas reservas indígenas’’, afirma o assessor especial para assuntos indígenas do governo, Edívio Battistelli.
Entre as principais iniciativas destacam-se a retirada de 650 não-índios (madeireiros e arrendatários) da reserva de Mangueirinha, região Sudoeste, e a implantação de postos de fiscalização e patrulha indígena, o que contribui para o fim do processo de desmatamento. Os índios são responsáveis pela fiscalização e evitam o desmatamento e a agressão à natureza. A instalação de viveiros na reserva também promoveu o reflorestamento de áreas degradadas. Já foram plantadas em torno de 180 mil mudas de araucária e de 14 mil mudas de erva-mate.
Com isso, o Paraná abriga na reserva de Mangueirinha a maior floresta nativa de araucária do mundo, com 4 mil hectares. O gênero araucária é uma das espécies florestais mais antigas do mundo e é representado por 16 espécies distribuídas entre Austrália, Nova Guiné e América do Sul. A araucária angustifolia é sul-americana, com maior concentração no Brasil - em especial no Paraná - e na Argentina. Os agrupamentos mais significativos estão nas regiões Sul e Sudoeste do Estado, nos municípios de Guarapuava, Palmas, Curitiba, Irati, União da Vitória e Laranjeiras do Sul.
Com o programa Paraná Indígena - implantado pelo governo em 1995 - nenhuma das 17 reservas indígenas, que somam 84 mil hectares, sofreu impactos que resultassem em agressão ao meio ambiente ou aos valores culturais dos índios. Em Mangueirinha, maior reserva com 1.617 índios caingangue e guarani, foram criados centros de cultura para ampliar os conhecimentos e resgatar os valores culturais - ensino bilíngue (português e tupi), valorização do artesanato, dos rituais, cantos, danças e das comidas típicas.
‘‘Não faz parte da cultura do índio o comércio de produtos da natureza, como a madeira, os animais e aves, com a intenção de obter vantagens de qualquer espécie’’, explica Battistelli. ‘‘Em Mangueirinha, os índios se conscientizaram de que em pouco tempo iriam destruir a floresta se mantivessem qualquer tipo de parceria com arrendatários e madeireiros’’.
Outras ações, como implantação e melhoria de postos de saúde, restauração das estradas internas da reserva, perfuração de poço artesiano e instalação de rede de água, contribuíram para melhorar a qualidade de vida dos índios.
Além disso, o governo federal vai repassar R$ 360 mil este ano para a agricultura nas 17 reservas indígenas do Paraná. O dinheiro será usado na compra de sementes para as lavouras comunitárias. O governo do Estado também vai colaborar com a agricultura indígena e doará 2.250 toneladas de calcário para melhorar a qualidade do solo utilizado para o plantio.

mockup