Os cainguangues da Reserva de Apucaraninha, no município de Tamarana (62 km ao sul de Londrina), recusaram ontem a proposta entregue pelo gerente de produção da Copel, Romano Laslowsky, para o repasse de parte dos lucros da Usina Apucaraninha para a comunidade indígena. A Copel não autorizou os índios a divulgarem o balancete que baseou a proposta, alegando razões de mercado.
Os líderes da aldeia consideraram a proposta muito baixa e agora querem também participação nos lucros obtidos com a distribuição da eletricidade produzida pela unidade, instalada próximo à aldeia desde 1949. A Copel estuda a possibilidade deste tipo de receita entrar no cálculo feito para o repasse dos recursos. A resposta da companhia deve ser divulgada ainda esta semana. O pedido das lideranças foi feito na quinta-feira, antes, portanto, da divulgação da proposta da Copel.
As negociações sobre o tema foram reiniciadas no último dia 9, após os índios impedirem, por 30 horas, a saída de funcionários da usina, de trabalhadores de um empreiteira e de funcionários da Funai da aldeia. Atualmente, os índios recebem R$ 56 mil a título de um contrato de arrendamento da área construída e alagada pela usina.
Na última sexta-feira, a direção da Copel solicitou à Funai, que as próximas rodadas de negociação fossem realizadas no escritório da fundação em Londrina e não mais na reserva, onde os representantes da companhia ''se sentem coagidos, constrangidos e até mesmo ameaçados pelos índios'', como informou ontem a assessoria de imprensa da Copel. O gerente de produção preferiu permanecer em Londrina ontem e entregou a proposta à funcionários da Funai. O cacique Moisés Lourenço afirmou que não aceita negociar fora dos limites da aldeia.

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