Os índios da reserva Apucaraninha, matriculados na Universidade Estadual de Londrina (UEL), reclamam da falta de transporte para frequentar as aulas. A dificuldade de locomoção é apontada - inclusive - como motivo de reprovações e desistências.
''Este ano, não assistimos uma aula sequer'', garante a estudante Jaciele Kurita, 18 anos, aluna do 2º ano do curso de Ciências Sociais. Segundo ela, o ônibus metropolitano da Francovig deixa a reserva às 7h e chega no terminal central de Londrina entre 10h e 10h30. Para chegarem ao campus, eles precisam de outro ônibus que concluirá o trajeto quando as aulas da manhã estiverem no final.
Na volta, o ônibus que chegará a Apucaraninha sai às 17h do centro. Devido à incompatibilidade de horários, Sérgio Kurita, aluno de Agronomia e irmão de Jaciele, afirma que foi retido no primeiro ano.
A bolsa de R$ 350,00 que os índios recebem do governo estadual é destinada também aos livros, alimentação e sustento da família na reserva. Embora o objetivo do benefício seja favorecer a continuidade dos estudos, os índios alegam dificuldade para trabalhar nesta fase. ''Este mês, por exemplo, o dinheiro ainda não foi depositado'', acrescentou Jaciele, que pensa em usar esta verba para alugar uma casa em Londrina com o irmão e outro estudante da reserva.
Os ônibus utilizados pelos universitários de Apucaraninha são os mesmos que atendem Tamarana e Lerrovile. Conforme a própria Francovig, os horários são incompatíveis com o expediente escolar porque não foram definidos visando unicamente os estudantes. Qualquer mudança deve ser solicitada à diretoria de transportes da CMTU.
Wilson Santos, diretor de transportes da CMTU há dois anos, afirma que nunca recebeu um pedido a esse respeito. ''É necessário formalizar a reivindicação para buscarmos uma forma de equilibrar a demanda e o custo'', explicou.
Everson Cazarin, chefe da Divisão de Políticas de Graduação, subordinada à Pro-reitoria de Graduação (Prograde), disse que cada universidade estadual e o próprio governo do Paraná possuem uma Comissão Universidade para os Índios (CUIA), formada também por índigenas e responsável pelo acompanhamento da vida acadêmica deles.
Problemas de frequência ou nota, por exemplo, são informados ao Colegiado do Curso, que repassa à Prograde, leva à CUIA, que - por sua vez - tenta resolver a questão diretamente com o aluno e/ou Funai. Caso não consiga, o problema é compartilhado novamente com a universidade.
''Desde que eles entraram na UEL, houve apenas uma desistência por motivo familiar. Em 2007, formamos os dois primeiros alunos: Medicina Veterinária e Odontologia'', comentou Cazarin.

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