A Polícia Federal (PF) de Londrina disponibilizou uma equipe para manter vigilância na Reserva Indígena de Apucaraninha, em Tamarana (62 km ao sul de Londrina) durante toda a madrugada de ontem. O pedido foi feito pelos próprios índios depois de receberem ameaças de um grupo, que chegou a invadir a casa de um dos moradores do local.
O caso aconteceu por volta das 22 horas de anteontem. De acordo com testemunhas, quatro pessoas teriam chegado em um carro, usando capuzes e fazendo barulho. Eles teriam entrado na casa do cacique Moisés Lourenço, que estava viajando. A esposa dele, única pessoa que estava na residência, pediu por socorro. ''As três pessoas que estavam dentro da casa saíram correndo. Houve uma confusão, mas eles conseguiram fugir'', disse Lourenço, que chegou ontem.
O delegado-chefe da PF, Sandro Roberto Viana dos Santos, disse que uma equipe permaneceu na reserva das 1h30 às 5h30, mas não encontrou suspeitos e nem presenciou qualquer movimentação nos arredores. ''A informação era que quatro pessoas encapuzadas e armadas estariam ameaçando os índios, inclusive por telefone (no local existe um telefone público). Fizemos um reunião com índios e representantes da Funai (Fundação Nacional do Índio) para tentar saber o que realmente está acontecendo na reserva'', explicou Santos, que deve abrir um inquérito para apurar o caso.
A Folha falou com um funcionário da Funai, que confirmou ter recebido de alguns índios informações sobre as ameaças. Um funcionário, que pediu para não ser identificado, comentou que tiros teriam sido disparados durante a confusão e que alguns índios estariam armados, na tentativa de proteger os familiares.
Numa reunião realizada ontem à tarde, ficou acertado que o administrador regional do Funai, José Gonçalves dos Santos, passaria a noite na reserva. Hoje, os índios e a PF devem se reunir novamente.
O cacique Lourenço não confirmou a informação sobre os tiros e nem se haveria armas na aldeia, mas destacou que a comunidade está revoltada. ''Não vamos deixar isso (a invasão) acontecer de novo. Esperamos que a polícia continue por perto'', ressaltou. (Colaborou Fábio Galão)

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