Índios querem parte dos lucros de usina
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quinta-feira, 09 de agosto de 2001
Chiara Papali<BR>De Londrina 
Os índios caingangues da Reserva de Apucaraninha, em Tamarana (62 km ao sul de Londrina), fizeram um acordo com a Copel e liberaram ontem os três funcionários da companhia e cinco de uma empreiteira que estavam impedidos de sair da usina desde a manhã de anteontem. A pedido da Copel, quatro agentes da Polícia Federal acompanharam as negociações entre os índios e o gerente de produção da empresa, Romano Laslowsky, que se deslocou de Curitiba.
Mesmo com a retenção do grupo por mais de 24 horas na reserva, os caingangues e o administrador regional da Fundação Nacional do Índio (Funai), José Gonçalves dos Santos, preferiram classificar a manifestação como pacífica. Os índios passaram a noite em vigília bloqueando a estrada rural que dá acesso à reserva. Como administrador da Funai fiquei com eles e participando das negociações, alegou Santos.
O controlador de turbina José Domingos deveria ter saído da usina às 8 horas da quarta-feira. Tive que ficar, mas não foi um problema. Temos casa, comida, tudo na reserva. Não fomos maltratados, por isso não considero que fiquei como refém, afirmou.
Durante a reunião, os índios reivindicaram uma participação nos lucros da produção de energia da usina, que fica em suas terras. A alegação dos caingangues é que há 50 anos, quando a hidrelétrica foi construída, os índios não receberam nada. Eles têm apenas um contrato de arrendamento das terras com a Copel. Para os índios, a participação nos lucros seria uma maneira de indenizá-los pelo desmatamento da região. Pelo arrendamento a reserva recebe R$ 56 mil anuais, mas paga cerca de R$ 30 mil anuais pela conta de luz. A outra reivindicação é a revisão do valor pago pelo arrendamento.
O gerente da Copel propôs o pagamento mensal do arrendamento, diretamente para a associação indígena, com um novo contrato ou termo aditivo no atual. Dessa maneira eles terão mais liberdade para direcionar o dinheiro ao que é realmente necessário na comunidade, sem ter que esperar a aprovação do Plano de Aplicação da Funai pelo Ministério de Justiça, disse.
Quanto à participação nos lucros, Romano Laslowsky propôs que a Copel calcule a média do custo de produção de energia dos últimos 10 anos, descontando gastos com funcionários, manutenção e impostos. O valor do lucro líquido será passado aos índios, para que façam uma contraproposta à Copel, sugerindo uma porcentagem de participação. Temos que chegar a um número bom para todos. O que não pode acontecer é a usina não ser rentável, ressaltou Laslowsky. Anualmente são produzidos em média 6 megawatts, apesar de a usina ter potência para 10.


