Índios querem compensação da Copel
Emerson Cervi
De Curitiba
Na hipótese de os índios das comunidades da bacia do Rio Tigabi aceitarem a construção das usinas projetadas pela Copel nas reservas, eles vão exigir uma compensação em terras três vezes maior que as áreas inundadas e ainda participação nos lucros das hidrelétricas. Foi o que adiantaram os líderes numa audiência pública ontem, promovida pela Comissão Estadual de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
A comissão da OAB ouviu ontem representantes de comunidades da bacia alvo dos projetos de barragens no Rio Tibagi. Cinco reservas de índios serão atingidas direta ou indiretamente pelos projetos de construção de usinas na região. A Copel pretende fazer sete usinas no Tibagi. A Comissão emite seu parecer final sobre o assunto em outubro.
Quatro usinas já foram projetadas: as hidrelétricas de Jataizinho, Mauá, Cebolão e São Jerônimo da Serra. As duas últimas estão em processo de contratação das obras e devem atingir áreas onde vivem cerca de 2 mil famílias de índios. A constituição determina que os indígenas autorizem a construção de hidrelétricas em reserva legal e os estamos ouvindo para saber o que pensam dos projetos, disse o presidente da Comissão, Wagner Rocha Dangelis.
Representantes das cinco reservas, dos conselhos indígenas no Paraná, da Fundação de Amparo ao Índio (Funai) e do Ibama participaram da audiência. A Comissão já ouviu a antropóloga Cecília Maria Vieira Helm, que fez um relatório sobre o impacto ambiental e representantes da Copel.
Antes de começar o depoimento, ontem, os índios exigiram que a antropóloga e representantes da companhia de energia não participassem da reunião. Nós ainda não decidimos se aceitaremos a proposta da Copel, afirmou o presidente do Conselho Indígena de Guarapuava, Pedro Cornélio Seg Seg. A reserva Apucaraninha, no município de Londrina, onde vivem mil famílias kaigang, será a mais atingida.





