A comunidade indígena da reserva Laranjinha, em Santa Amélia, no Norte Pioneiro, quer uma resposta imediata sobre o aproveitamento da água excedente de uma mina mineral, que há seis anos jorra 150 mil litros por hora. O consumo das 53 famílias que vivem na reserva é de 2,2 mil litros/hora. Os índios querem comercializar a água como forma de sustento alternativo para a reserva, porém dependem da burocracia e até da aprovação no Congresso.
‘‘Desde que este poço foi perfurado já teriam que ter feito alguma coisa. Nesse intervalo, quem está sofrendo é a comunidade que passa necessidade. Não temos mata para sobreviver dela. A única fonte possível é a mina. Com ela, poderemos tirar um peso das costas da Funai e caminharmos sozinhos’’, afirma o cacique Mário Raulino Sampaio, 40 anos.
Nos 100 hectares da reserva Laranjinha vivem cerca de 400 índios guaranis. A base econômica é a agricultura - milho, feijão e arroz. Os índios ainda criam peixes no tanque onde a água da mina vaza. ‘‘Já se foi a época em que os índios sobreviviam com caça e pesca. Precisamos de outra fonte de renda’’, diz o guarani Valdecir Mendes, 27 anos. Ele reclama que dependem da Funai para tudo. ‘‘O trator quebrou e perdemos a época de plantar feijão, porque a Funai demorou a consertar. Só estamos fazendo uma lavoura por ano e é muito pouco’’, lamenta.
Para a reserva, a comercialização da água mineral seria vital. ‘‘O governo tem de olhar urgentemente para essa situação. A maioria de nós trabalha de bóia-fria, sendo que temos uma fonte de renda aqui’’, diz o guarani Henrique Luiz Camargo, 26 anos. ‘‘Eu tenho oito filhos para criar, a nossa área é muito pequena para sobreviver e não temos dinheiro. Sei que Deus nos abençoou com esta mina e agora não podemos aproveitar?’’ questiona o guarani Adilson Moratto, 34 anos.
Uma das ações imediatas que o governo poderia fazer, segundo os índios, seria orientar como melhor aproveitar a água. ‘‘Precisamos de orientação técnica porque não temos preguiça de trabalhar’’, diz o vice-presidente da associação dos moradores, Albano Jacinto, 48 anos.
Segundo ele, o poço foi perfurado em 1991. ‘‘Durante dois anos, a água ficou jorrando sem função. Depois conseguimos recursos para canalizar a água para as casas’’, conta.
A análise da água foi feita pelo Instituto Tecnológico do Paraná (Tecpar), que comprovou ser água alcalina terrosa cálcica, ou seja, mineral.

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