Luciana Pombo
De Curitiba
Cerca de 400 índios de 17 reservas do Paraná inciaram ontem uma mobilização em frente ao prédio da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) para garantir o atendimento médico e farmacêutico em todas as aldeias do Estado. De acordo com o líder da reserva indígena de Mangueirinha, João Carlos Mader, a situação é crítica. Na reserva, onde vivem 2 mil índios, duas crianças morreram por falta de atendimento médico. ‘‘Nos prometeram contratação de funcionários, medicamentos, combustível para que possamos levar os índios para uma unidade hospitalar. No entanto, não temos nada’’, afirmou ele.
O Ministério da Saúde transferiu, há seis meses, a responsabilidade pela saúde do índio da Fundação Nacional do Índio (Funai) para a Funasa. ‘‘Desde que esta transferência foi feita, sem nossa aprovação, vivemos de promessas. Os índios estão revoltados’’, declarou Mader. Além da falta de pessoal (auxiliar de enfermagem, motoristas, agentes de saúde e sanitários), os índios reclamam da quota reduzida de combustível e de poucos recursos para a compra de medicamentos. Em Mangueirinha, eles recebem um tanque de gasolina por semana e R$ 500,00 por mês para a compra de medicamentos. ‘‘Precisamos de seis vezes este valor para atender a todas as nossas necessidades’’, disse ele.
O presidente do Conselho Indígena Estadual do Paraná e líder da reserva de Londrina, Lorival de Oliveira, alegou que nenhuma reserva tem infra-estrutura necessária para o atendimento mínimo à saúde. ‘‘Às vezes, quando temos doentes graves, temos que deslocá-los para postos de saúde de cavalo. Isto pode agravar ainda mais o caso’’, afirmou ele. A reserva fica afastada cerca de 80 quilômetros de Londrina. No local, quatro crianças morreram por falta de atendimento. ‘‘Minha sobrinha também morreu por falta de socorro. Não podemos mais aguentar essa situação’’, desabafou.
Na reserva de Londrina vivem cerca de 1,2 mil índios. ‘‘Estamos nos sentindo desrespeitados. Acho que chega do governo federal pisar no índio. Precisamos de uma mudança de postura’’, declarou. Os índios estão dispostos a acampar em Curitiba por tempo indeterminado caso as reivindicações solicitadas não sejam atendidas.Cerca de 400 índios paranaenses se reuniram ontem em frente ao prédio da Funasa, em Curitiba, e ameaçam acampar na cidade
DIFICULDADELorival de Oliveira, presidente do Conselho Indígena Estadual do Paraná e líder da reserva de Londrina, alega que nenhuma reserva tem infra-estrutura necessária para o atendimento mínimo à saúde

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