João Sandiri estava prometido a Sandra Sandiri quando tinham seis anos de idade. Os dois, que são índios caingangues, se conheceram na mesma aldeia em que ainda vivem, em Mangueirinha. ‘‘Brincamos, conversamos, rimos juntos desde pequenos. Talvez por isso, sei quem realmente ela é e ela sabe quem eu sou’’, diz João, que hoje tem 34 anos e afirma estar feliz.
Os dois foram prometidos por seus pais, que queriam manter a tradição de suas famílias e também as terras que possuíam. ‘‘O fato de terem nos unido dessa forma não nos incomoda’’, diz João. Ele afirma que sabiam do acordo quando crianças, mas acabaram se gostando com o tempo. ‘‘Os meus avós e outros ancestrais também fizeram isso e se mantiveram juntos com o tempo’’, diz. Ele conta que teve outras namoradas antes de se casar, mesmo estando prometido. ‘‘Mas me mantive fiel’’, emenda. Ele tinha 16 anos quando se casou.
João diz que seu casamento é feliz. ‘‘Tenho três filhos e minha mulher me trata muito bem’’, comenta. Os dois vivem do artesanato e de agricultura de subsistência.
O artesão conta que o casamento arranjado hoje é raro entre os índios, que estariam aculturados. O sociólogo da Funai José João afirma que este tipo de rito tinha alguma força entre os índios do Paraná ainda no começo do século. ‘‘Hoje apenas os índios do Norte do Brasil realizam acordos entre as famílias para casar’’, informa. Nesses casos, explica o sociólogo, os pais estariam formando alianças até comerciais para garantir o sustento familiar.

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