O advogado César Bessa, que defende a comunidade caingangue da Reserva de Apucaraninha (localizada entre os municípios de Tamarana e Londrina), disse ontem que espera uma ''negociação longa'' com a Copel, no impasse sobre os valores dos repasses indenizatório e de arrendamento relativos ao funcionamento de uma hidrelétrica instalada próximo à aldeia. ''Os caingangues têm uma história de luta e resistência e não irão aceitar imposições da Copel que os prejudiquem'', afirmou.

Na última sexta-feira, a Copel, através de ofício, informou aos índios que o valor do pedido de indenização cerca de R$ 71 milhões e o valor do repasse mensal da arrendamento cerca de R$ 46 mil inviabilizaria o funcionamento da usina e que a proposta alternativa da comunidade montagem de uma comissão técnica de estudos para estabelecer os novos valores com representantes indicados pelas duas partes fere a legislação em vigor.

Até hoje, os índios nunca foram indenizados pelo uso de 114 alqueires por parte da Copel, que instalou a unidade geradora em 1949. O contrato de arrendamento em vigor repassa apenas R$ 56 mil anuais à comunidade, mais da metade gasto com a conta de energia elétrica da reserva.

De acordo com o ofício, a Lei Federal 8.666/93 impede que a realização do estudo seja feita sem licitação de uma empresa especializada e que, neste caso, o prazo de 120 dias estipulado pelos índios seria insuficiente. A Copel propõe o dobro de tempo para a elaboração do estudo.

A defesa dos índios, protocolada ontem junto à diretoria da Copel Geração, alega que estes estudos podem ser feitos sem licitação e propõe uma comissão com indicação mista. Os índios também solicitam a planilha sobre a movimentação econômica da usina. Eles querem os dados para a próxima reunião, que deverá ser realizada no dia 28, caso a Copel não se oponha. ''Só queremos o que é nosso'', resumiu o cacique Moisés Lourenço.

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